Dica de livro: Você pensa o que acha que pensa? Faça o teste!

Encontrei outro livro muito bacana para vermos se somos realmente coerentes com aquilo que pensamos. Se as nossas diversas idéias se conciliam umas com as outras ou se nossa cabeça é uma grande bagunça incoerente. Por isso recomendo o livro “Você pensa o que acha que pensa”? Editora Zahar. Os autores são: Julian Baggini (autor de O porco filósofo) e Jeremy Stangroom. O livro ao todo possuí 12 testes para você conhecer melhor o que você pensa. Aqui abaixo digitei um teste apenas. Quem quiser adquirir o livro: http://bit.ly/cg3i1O . Ao clicar na figura abaixo (capa do livro) você tem acesso ao sumário do livro, clpping ou o que saiu nos jornais sobre o livro, um outro trecho e um release da obra.

O Check-up Filosófico

Tenho as minhas próprias opiniões – opiniões

sólidas – mas nem sempre concordo com elas.

George W. Bush

Certa vez, Clint Eastwood deu uma declaração memorável: “Opinião é que nem bunda: cada um tem uma.” Quando se trata das nossas próprias convicções, porém, não queremos que nossos pontos de vista sejam comparados a partes ou funções escatológicas. As opiniões dos outros podem ser bobas, levianas, ingênuas ou maldosas, mas as nossas são sempre bem pensadas, inteligentes e merecedoras de atenção.

Bom, talvez. O propósito do check-up filosófico, entretanto, não é dizer quais das suas opiniões são válidas ou não. O que ele fará é revelar se você conhece bem as suas próprias opiniões. Levando a metáfora de Clint Eastwood mais longe do que deveríamos, vamos testar se suas opiniões se parecem mais com uma bunda durinha ou com uma flácida e cheia de estrias.

Faça o check-up

Para fazer o check-up filosófico, leia as declarações abaixo e marque se você concorda ou não. Nessa etapa, é importante simplesmente ir marcando as respostas enquanto continua, ou anotá-las numa folha avulsa. Não olhe para a tabela de pontos nem para a análise que vem logo a seguir até ter respondido às perguntas.

Sabemos que muitas vezes você não vai concordar ou discordar inteiramente, mas quase sempre tenderá mais para uma das respostas. Se não tiver certeza, escolha a resposta que estiver mais perto de suas opiniões. Se realmente não tiver nenhuma opinião, então está na hora de arranjar uma!

O check-up filosófico não julga se as suas respostas estão corretas ou erradas, por isso, seja o mais sincero possível na hora de responder. Preste muita atenção a cada uma das afirmações, porque nenhuma palavra está ali à toa.

Concordo Discordo
1. Não existem padrões morais objetivos; julgamentos morais são apenas a expressão dos valores de culturas específicas.
2. Contanto que não prejudiquem os outros, os indivíduos deveriam ser livres para perseguir os seus objetivos.
3. As pessoas não deveriam usar o carro se pudessem fazer o mesmo trajeto a pé, de bicicleta ou de trem.
4. É sempre errado tirar a vida de outra pessoa.
5. O direito à vida é tão fundamental que questões financeiras são irrelevantes em qualquer esforço para salvar vidas.
6. A eutanásia por escolha do próprio paciente deve continuar sendo ilegal.
7. O homossexualismo é errado porque é antinatural.
8. É perfeitamente razoável acreditar na existência de algo mesmo que não haja possibilidade de prová-la.
9. A posse de drogas para uso pessoal deveria deixar de ser considerada crime.
10. Existe um Deus bom, todo-poderoso e amoroso.
11. A Segunda Guerra Mundial foi uma guerra justa.
12. Quando se faz uma escolha, sempre se poderia ter feito a escolha oposta.
13. Nem sempre é correto julgar os indivíduos exclusivamente por seus méritos.
14. Apreciações sobre obras de arte são puramente uma questão de gosto.
15. Após a morte física, a pessoa continua existindo numa outra forma.
16. O governo não deveria permitir a venda de remédios que não tivessem sua eficácia e segurança previamente testadas.
17. Não existem verdades objetivas; a “verdade” é sempre relativa a culturas e indivíduos.
18. O ateísmo é uma fé como outra qualquer, porque é impossível provar que Deus não existe.
19. Saneamento básico e sistema de saúde adequados são geralmente bons para a sociedade.
20. Em certas circunstâncias, pode ser aconselhável discriminar positivamente uma pessoa como recompensa por danos causados a ela no passado.
21. A medicina alternativa vale tanto quanto a medicina tradicional.
22. Um sério dano cerebral pode tirar de alguém toda a consciência e senso de individualidade.
23. Deixar que uma criança inocente sofra desnecessariamente, quando se poderia facilmente impedir, é moralmente condenável.
24. O meio ambiente não deve ser desnecessariamente prejudicado em prol dos interesses humanos.
25. Michelangelo é um dos maiores artistas da história.
26. Os indivíduos têm direito exclusivo sobre o próprio corpo.
27. Os genocídios são uma prova da capacidade humana de praticar um grande mal.
28. O Holocausto é uma realidade histórica que acontecendo mais ou menos como registram os livros de história.
29. Os governos deveriam poder aumentar radicalmente os impostos para salvar vidas nos países em desenvolvimento.
30. O futuro está determinado; a forma como a vida de alguém se desenrola é uma questão de destino.

Como contar os pontos

Sob cada entrada de T1 a T15, assinale todas as células que estiverem de acordo com suas respostas (T=Tensão, Q=Questão).

T1 T2 T3 T4 T5
Q1

Concordo

Q5

Concordo

Q10

Concordo

Q17

Concordo

Q24

Concordo

Q27

Concordo

Q29

Discordo

Q23

Concordo

Q28

Concordo

Q3

Discordo

T6 T7 T8 T9 T10
Q2

Concordo

Q26

Concordo

Q4

Concordo

Q12

Concordo

Q19

Concordo

Q9

Discordo

Q6

Concordo

Q11

Concordo

Q30

Concordo

Q7

Concordo

T11 T12 T13 T14 T15
Q20

Concordo

Q22

Concordo

Q8

Discordo

Q14

Concordo

Q16

Concordo

Q13

Discordo

Q15

Concordo

Q18

Concordo

Q25

Concordo

Q21

Discordo

Toda vez que você marcar duas células na mesma coluna T1, de T1 A T15, identificamos uma tensão em seu sistema de convicções. Explicaremos mais tarde o que cada uma significa, mas, como você já está roendo as unhas para saber seu resultado, eis o que achamos que ele implica:

Nenhuma Tensão – Suas opiniões sobre os temas das nossas perguntas são totalmente coerentes.

Uma ou duas tensões – Você parece ser um pensador de admirável coerência, ainda que não inteiramente.

De três a cinco tensões – Como as da maioria das pessoas, suas convicções talvez não sejam tão consistentes quanto poderiam ser.

Seis ou mais tensões – Ou você é um pensador incrivelmente refinado ou é um mar de contradições!

Análise Geral

O check-up filosófico tem como objetivo identificar as tensões ou contradições nas suas convicções. Não pretende apontar quais de suas opiniões são válidas ou não são válidas, mas sim as incompatibilidades no seu conjunto de crenças.

Cada tensão indica que ou (1) há uma contradição entre as duas convicções ou (2) que é preciso um raciocínio sofisticado para que seja possível ter essas duas convicções ao mesmo tempo sem deixar de ser coerente. Isso quer dizer que existem motivos – que em breve explicaremos – que tornam muito difícil, senão impossível, manter ambas as opiniões.

Você pode pensar em “tensão” como uma ação intelectual para chegar ao equilíbrio. Quando houver pouca ou nenhuma tensão entre as convicções, pouco esforço intelectual é necessário para equilibrá-las. Mas, quando houver muita tensão, é preciso ou sair de cima do muro e abandonar uma das convicções, ou manter o equilíbrio, com esforço e destreza intelectuais, ou então dar de cara com o muro ao não conseguir conciliar a tensão, a continuar mantendo convicções contraditórias.

Será que você deveria se preocupar com as tensões que identificamos? Se você se preocupa mesmo em ser consistente, então deve ou (1) desistir de uma delas ou (2) encontrar alguma maneira racional e coerente de conciliá-las. Se você não se preocupa muito com a coerência, talvez devesse fazê-lo.

Repare que esse teste detecta apenas tensões entre pares de convicções selecionadas previamente – e não todas as possíveis tensões entre todas as combinações de convicções. Assim, é bem possível haver outras tensões além daquelas que o teste captou. Um bom resultado não indica coerência perfeita em todas as suas convicções.

Livro: Filosofia explicada à minha filha, escrito por Roger-Pol Droit

Esses dias empolgado com um livro que adquiri recentemente resolvi digitar o primeiro capítulo para tê-lo em formato de texto no computador. É um texto tão curioso que resolvi postá-lo aqui no blog e compartilhá-lo, porque espero que sirva de estímulo para as pessoas, alunos ou não, se interessarem pela filosofia. Boa leitura! É um diálogo entre um pai e uma filha sobre a filosofia. Será que você irá se identificar com as perguntas inteligentes da menina de 16 anos? Acredito, sem dúvida, que sim! Ah, sim, sem esquecer: o livro foi editado pela Martins Fontes. Quem quiser adquirir: http://bit.ly/aaBtXd (este site compara o preço do livro nas principais lojas online e busca o mais em conta).

1. Procurar idéias verdadeiras

- Então, o que é a filosofia?

- Nós vamos procurar. E tomara que encontremos. Mas não espere uma resposta imediata. Não é algo que se explique numa frase.

- Tente!

- Não, não adiantaria nada. Num dicionário, por exemplo, você leria que a palavra “filosofia” pode significar, em grego antigo, “amor à sabedoria”. Você provavelmente vai pensar que deve ser algo muito chato, porque “sabedoria” lembra coisa de gente mais velha, séria. Portanto, você não terá avançado muito, pois ainda será preciso se perguntar o que chamamos de “sabedoria”, no que ela consiste? Terá aprendido o que a palavra “filosofia” quer dizer, mas continuará sem saber o que a filosofia realmente é.

- Se me dizem o sentido da palavra, é lógico que eu sei o que é!

- De jeito nenhum. Quando você aprende que a palavra “Japão” é o nome de um país da Ásia, nem por isso você conhece o Japão. Ou então, imagine uma criança que não sabe o que quer dizer a palavra “matemática”. Você lhe dá uma definição: “uma ciência dos números e das figuras”. Agora, a criança conhece o sentido da palavra. Pode até usá-la. Mas você diria que ela sabe o que é matemática?

- Claro que não.

- Está vendo? A palavra não basta! Conhecer algo não é apenas saber uma palavra, é também, necessariamente, ter uma experiência. Você conhece o que chamam de “matemática” quando começa a fazer contas e demonstrações, fazer aritmética, álgebra ou geometria. E o Japão, você vai conhecer lendo livros, vendo exposições e filmes e, é claro, indo até lá!

- Então, dá para dizer que para conhecer a filosofia é preciso ir até ela?

- Exatamente! Você entendeu muito bem. É preciso ir até a filosofia. No entanto, não é um país, um lugar para onde podemos viajar. É antes, como a matemática, uma atividade.

- Certo, mas então o que a gente faz quando faz filosofia?

- Tentamos saber a verdade. Pronto, este é um bom ponto de partida: a filosofia é uma atividade que procura a verdade. Mas isso não basta. Um delegado também busca a verdade. Numa investigação, quando se trata de um assassinato, ele tenta saber quem é o assassino. Para isso, como você sabe, ele vai examinar como cada suspeito empregou seu tempo, comparar todas as versões, confrontar depoimentos… e refletir! Não vai acreditar na palavra de ninguém e vai colocar em dúvida, sistematicamente, tudo que lhe contarem.

Os filósofos fazem algo parecido. Para procurar a verdade, não hesitam em examinar suas convicções e suas crenças. Podem até considerar suspeitas suas próprias idéias. Mas não são delegados de polícia! Há muita gente diferente que se dedica a procurar coisas verdadeiras. Além dos investigadores, quem você colocaria entre os buscadores de verdades?

- Não sei… Talvez os historiadores. Eles querem descobrir a verdade sobre os acontecimentos passados.

- É, pode ser, é uma possibilidade. E os cientistas? Na sua opinião, devemos incluí-los entre os buscadores de verdades?

- É claro. Mas eles procuram a verdade sobre problemas de química, de física ou de biologia!

- Certo! Você já entendeu a conclusão que devemos tirar dos nossos exemplos: os delegados de polícia, os historiadores, os cientistas (e muitas outras pessoas também) têm em comum o fato de procurarem a verdade, mas em campos muito diferentes. Acho que para avançar nesta nossa investigação, sobre o que fazem os filósofos, temos um problema para resolver. Sabe qual é?

- Acho que vamos ter de descobrir em que campo os filósofos procuram a verdade.

- Ótimo! Bem, na sua opinião, qual é o campo em que os filósofos procuram a verdade? Ocupam-se dos criminosos, como os policiais? Das realidades da física ou da química, como os cientistas?

- Não! Acho que eles se dedicam à justiça, à liberdade, a coisas assim…

- Você está certa, mas temos de ser mais precisos. É verdade que houve filósofos que procuraram a verdade no campo da moral (saber o que é bom e o que é mau, definir o que é justo e o que não é) ou da política (os cidadãos e o poder, a organização das decisões). Mas estes não são os únicos campos. Quando descobrimos a filosofia, ficamos impressionados com a quantidade e a diversidade de temas. Os filósofos se interessam na verdade pela ciência, pela arte, pela lógica, pela psicologia, pela política, pela história… Mas, ainda assim, não são nem cientistas, nem artistas, nem lógicos, nem psicólogos, nem historiadores…

- Não estou entendendo mais nada. Eles se interessam por tudo e não são especialistas em nada?

- Mais um tempinho e acho que tudo isso pode ficar bem mais fácil de entender. Pense nos dados que temos, parece uma adivinha: o que podem fazer pessoas que procuram a verdade num campo (a matemática, a moral ou a arte) sem serem especialistas que trabalham nesse campo?

- O mistério continua… É muito estranho.

- Quem busca a verdade em matemática são, normalmente, os matemáticos. Em história, os historiadores. E assim por diante. Se os filósofos também procuram a verdade em todos esses campos, devem fazê-los de uma maneira especial, como se trabalhassem num campo que atravessa todos os outros. Estamos chegando à solução: é no campo das idéias que os filósofos procuram a verdade. Cada vez que você quer entender como um filósofo se situa num campo, pode começar por acrescentar “idéia de”… O filósofo não trata da justiça como um advogado ou um juiz. Trata da “idéia” de justiça. Não se interessa pelo poder do mesmo jeito que o político, tenta aprofundar a “idéia” de poder.

E as coisas funcionam assim em todos os campos. Em matemática, por exemplo, o filósofo vai tratar da idéia de prova, ou da idéia de demonstração, ou ainda da idéia de número. Em história, vai se interessar pela idéia de acontecimento ou de revolução, ou de violência, ou então pela idéia de paz. Em moral, vai se interessar pela idéia do bem e pela idéia do mal. Ou então pelas idéias de delito, de responsabilidade, de regra.

Agora já é possível você entender como, trabalhando nesse campo das idéias, que atravessa todos os outros campos, os filósofos podem lidar com muitas especialidades sem ser especialistas?

- Na verdade, são especialistas das idéias?

- Certo. Temos de acrescentar que essa busca da verdade no campo das idéias pode quase sempre adotar a forma de uma pergunta: “qual é verdadeiramente a idéia de…?”. No lugar das reticências, você pode pôr “liberdade”, “obra de arte”, “poder”,justiça”, “indivíduo”, “alma”, “homem”, “dignidade”… e dezenas de outras. Portanto, o que os filósofos procuram é a melhor definição possível de cada idéia. E, entre essas definições, procuram qual é a verdadeira.

- Então, para que servem concretamente suas investigações?

- Para viver, simplesmente para viver! As idéias não são um campo à parte, uma espécie de jardim que estaria ao lado da existência. De jeito nenhum! Na verdade, as idéias governam as ações, os jeitos de viver, os comportamentos.

- Você não quer que eu acredite que os seres humanos precisam de filosofia para viver. Tem muita gente que vive sem ter a menor idéia do que os filósofos pensam. E isso não as impede de viver!

- Espere aí!… Se você quer dizer que se pode comer, dormir, crescer sem buscar a verdade nas idéias, é claro que tem razão. Não se pode viver sem beber, sem se alimentar, sem dormir, mas se pode perfeitamente manter o organismo vivo sem realmente refletir. A questão não é essa. É saber como viver melhor. De maneira mais humana, mais inteligente, mais intensa. E, para isso, não dá para escapar de um trabalho com as idéias.

Digo: um trabalho com as idéias, porque idéias, todo o mundo tem. Elas já existiam antes da filosofia. Não foi ela que as criou. A filosofia vai testá-las, colocá-las à prova, examiná-las, para ver quais são verdadeiras e quais são falsas.

- Não entendo por que isso é indispensável para viver!

- Então, escute esta história. É uma história bem antiga que um filósofo chamado Sócrates contava muito tempo atrás. Algumas crianças querem escolher o que vão comer. Se forem à padaria ou à confeitaria, a idéia que terão é de que o que é bom para elas são os bolos e os bombons. Contudo, esses doces na verdade podem estragar seus dentes, fazê-las engordar e até, um dia, torná-las obesas. Essas crianças poderiam adoecer por causa da idéia falsa que têm do “bom”: confundem o que é bom de gosto, agradável de comer, com o que é bom para a saúde.

Ao contrário, se forem ao médico, eles lhes dirá a verdade: “O que é bom para vocês, para a sua saúde, para o seu equilíbrio, é uma alimentação variada, leite, frutas, peixe, legumes e… muito pouco (ou nenhum) bolo e muito pouco (ou nenhum) bombom.” O que essas crianças vão pensar do médico?

- Vão pensar que ele está enganado, e que elas sabem melhor que ele o que é bom para elas…

- É, dirão até que esse homem é mau, que quer o mal delas, que tenta impedi-las de ser felizes. Ou que ele não entende nada do que é bom para elas. Ou, ainda, que ele está enganado e não sabe nada sobre a verdade.

Então, de duas, uma: ou as crianças continuam na ilusão, evidentemente agradável, de que o melhor para elas é viver de bombons e bolos, e essa idéia pode lhes causar uma indigestão, ou então descobrem que o médico diz a verdade, mesmo que essa verdade lhes desagrade, e essa mudança de idéia vai ajudá-las a ter uma saúde boa.

É isso… as idéias são coisas que podem fazer você ficar doente ou saudável! Entende agora por que elas são tão importantes para viver?

- Tenho certeza de que você inventou uma história sob medida… para se ajustar ao seu argumento.

- Não inventei nada. A história das crianças que preferem o padeiro ao médico, repito, era Sócrates, um dos primeiros filósofos, que a contava em Atenas, faz… 2500 anos! Você acha que esse exemplo é apenas um caso particular e ainda não está convencida de que as idéias são sempre importantes para a vida. Então vejamos a situação de outro ângulo. Será que a idéia que temos de justiça tem alguma importância para a maneira como vivemos?

- Claro que tem!

- E as idéias que temos da liberdade, ou da morte, ou da igualdade, ou da felicidade, por exemplo, elas desempenham algum papel na existência?

- Certo, entendi. Existem idéias que governam nossa vida…

- Portanto, é muito importante para a nossa vida saber quais as idéias verdadeiras e quais as falsas. Imagine alguém que tem uma idéia falsa da felicidade ou da liberdade. Ele quer ser feliz e livre, mas vai se enganar de caminho, se perder e sem dúvida fazer muito esforço… para nada! Acreditará que sua idéia é a certa, mas se ela for falsa é muito provável que ele fracasse e que sua vida não dê certo.

- Mas, se é uma idéia falsa, por que ele acha que é verdadeira?

- Boa pergunta! A resposta é muito simples: acreditamos que uma idéia falsa é verdadeira enquanto não a examinamos, olhamos de perto. E isso está sempre acontecendo. É até a situação mais comum e mais banal. Acho que uma coisa é verdadeira porque sempre ouvi dizer, desde pequeno todos repetiam a mesma coisa. Quase todas as idéias que temos na cabeça vieram de fora. Entraram na nossa mente sem sabermos realmente como. Vêm da nossa família, do nosso meio, dos nossos amigos. Em geral, não fomos nós que fabricamos nossas idéias! Assim como também não inventamos as palavras com as quais falamos.

Quase sempre, essas idéias se instalaram em nós, tornaram-se “nossas” idéias, sem que as tenhamos de fato escolhido. Raramente dissemos “sim” ou “não”. Não procuramos realmente saber se são verdadeiras ou falsas.

- Quer dizer que a gente poderia ter na cabeça um monte de idéias falsas sem saber?

- Claro! Pior ainda: um monte de coisas falsas que estamos convictos de julgar verdadeiras com razão!

- Qual é a solução? Como é que a gente se cura?

- Bem… não nos curamos, mas fazemos filosofia! Provavelmente é a única maneira de obter o resultado de que estamos falando: testar nossas idéias, colocá-las à prova para selecioná-las.

Aliás, você deve ter percebido que obtivemos um novo resultado: a filosofia é também uma atividade crítica. Não se contenta em procurar a verdade no campo das idéias. Para atingir esse objetivo, também se dedica a expulsar as idéias falsas. Procura detectá-las para que não causem prejuízos.

Podemos dizer isso de outra forma: idéias todo o mundo tem. Cada um tem suas opiniões, suas crenças, suas convicções. Elas podem dizer respeito à política, à religião, à moral, à justiça, à arte… Esse conjunto de opiniões e crenças que cada um de nós possui não é de fato filosofia. A filosofia começa, como atividade de reflexão, quando nos perguntamos: “De todos esses pensamentos que tenho na cabeça, quais são verdadeiros? Quero saber, vou tentar examiná-los!” Fazer filosofia não é simplesmente pensar, ter idéias. É começar a observar suas próprias idéias, como se nós as olhássemos de fora, como se quiséssemos fazer uma arrumação na cabeça.

Portanto, é uma atividade específica. Repito, ela não consiste apenas no fato de pensar. Pode-se pensar de muitos jeitos diferentes. Pensar no que faremos amanhã, ou no que fizemos ontem. Pensar nos amigos ou nas férias, pensar nos estudos, no trabalho… Todos esses pensamentos não são filosofia!

- Ou seja, a filosofia são pensamentos especiais…

- Isso mesmo! Acrescento que eles não são especiais por causa do seu conteúdo, mas por causa do seu estilo.

- Como assim?

- Na verdade, o que torna esses pensamentos “especiais” não são os temas dos quais eles tratam (por exemplo, a liberdade, a justiça, a morte, Deus etc.). Sobre todos esses temas posso ter pensamentos que não serão necessariamente filosóficos. O que chamo de estilo dos pensamentos filosóficos, seu “jeito de ser” se você preferir, é se examinar, se interrogar para saber se eles são verdadeiros ou falsos, ou até, mais simplesmente, para saber sobre o que exatamente eles falam. É isso o que os torna especiais.

- Pode me dar um exemplo?

- Posso. Você sabe o que é um número?

- Claro que sei. Sei que existem números inteiros, números decimais…

- É, mas um número é o quê?

- Ora… um número!

- Parabéns! Progredimos bastante… Diga-me então o que é isso, já que você sabe tão bem.

- É um algarismo.

- Ah, não! Os algarismos (0 a 9) servem para escrever os números, mas são realidades diferentes: você tem dez algarismos e uma infinidade de números… e você pode escrever um mesmo número, o três, por exemplo, em algarismos arábicos (3) ou romanos (III). Portanto, número e algarismo não são a mesma coisa. Então, recomeçando: o que é um número?

- É uma ferramenta para contar.

- Como um ábaco? Como uma calculadora? Como os dedos?

- É simples! Um número é uma coisa que dá para ver na realidade. Ali tem dois sapatos, aqui três velas… Olhando para eles, entendo o que é. E digo “dois”, “três” etc.

- E como você pode contar sem ter o número? Pense… Não é porque você vê essas três velas que você tem a idéia do número três. É porque você já tem na cabeça esse número que pode saber que ali tem três velas e não quatro ou cinco.

- A verdade é que essa história é irritante… É verdade que não sei explicar o que é um número! Aliás, por que você me fez essa pergunta?

- Para fazer você ver o estilo especial das perguntas filosóficas. À primeira vista, achamos que o número é somente do campo da matemática e, achamos, principalmente, como você fez, que sabemos muito bem o que ele é. Depois, quando tentamos dizer o que é, nos atrapalhamos, percebemos que não sabemos. Descobrimos que o que estava claro é vago e confuso; que o que sabíamos já não sabemos mais. E é irritante!

O jeito que os filósofos têm de indagar muitas vezes provoca esse tipo de irritação. Sócrates foi o primeiro a ficar famoso pelo seu costume de surpreender as pessoas desse jeito. Passeando pelas ruas de Atenas, a cidade grega aos pés do Partenon, começava a discutir com as pessoas e mostrava-lhes que elas, na verdade, não sabem o que acham que sabem.

Por exemplo, Sócrates interroga um velho militar, um general que lutou várias vezes e que conhece a guerra. Esse soldado acredita saber o que é a coragem e explica: a coragem, diz ele, é não ter medo. Sócrates lhe pergunta simplesmente se aquele que tem um medo terrível mas que assim mesmo luta, superando o pânico, não é mais corajoso do que aquele que não sente medo nenhum. O general concorda. Portanto, sua idéia da coragem não era correta. Como você pode imaginar, o militar fica furioso quando fazem com que ele veja que está enganado justamente sobre aquilo que acredita conhecer melhor.

Exemplos desse tipo há tantos quantos você quiser nos diálogos de Platão, que por muito tempo escutou Sócrates e encenou, digamos assim, sua maneira de fazer perguntas irritantes. Sócrates pede a um professor um tanto pretensioso, que afirma saber uma quantidade enorme de coisas e ser capaz de responder a qualquer tipo de pergunta, que diga o que é a beleza. Este tem um ataque de riso: é uma pergunta fácil demais! Qualquer criança responderia, ele sabe tudo isso de cor, Sócrates zomba do mundo com suas perguntas de uma facilidade ridícula… A resposta é simples: um vaso de ouro, diz ele, é isso a beleza.

Então Sócrates tem de lhe explicar que é evidente que ele não entendeu nada de sua pergunta. Não pediu que lhe dê um exemplo de coisa bela, mas que lhe diga o que é “ser belo”, no que isso consiste, como isso se define. Por longos instantes o outro nem mesmo consegue entender de que se trata, ou de que maneira se enganou. Continua no caminho errado, dizendo que beleza é também um cavalo de corrida ou uma jovem moça. Sócrates indaga-lhe sobre a beleza, ou seja, sobre o que permite julgar que todos esses exemplos (um vaso, um cavalo, uma jovem) têm em comum o fato de serem chamados “belos”. Em outras palavras, o que interessa a Sócrates é…

- A idéia de beleza?

- Isso mesmo! E, quando por fim entende que é disso que a pergunta trata, o pretensioso Senhor Sabe-Tudo fica bem embaraçado. Percebe que é incapaz de definir a beleza. Achava que sabia o que é, como todo o mundo, e descobre que na verdade não sabe nada. Como você, há pouco, com o número…

- E existem muitas coisas assim que a gente acha que sabe e na verdade não sabe?

- Toneladas de coisas! Um famoso filósofo chamado santo Agostinho dizia: “Quando não me perguntam o que é o tempo, eu dei. Quando me perguntam, não sei mais.” Pense nesse exemplo. Existem muitas idéias que cabem nesse caso. Como o tempo, acreditamos saber de que se trata enquanto não temos de explicá-lo de maneira clara e precisa. Assim que temos de falar a respeito com exatidão, ficamos em situação embaraçosa. A filosofia é a atividade que consiste em tentar sair desse embaraço.

- E dá para conseguir isso?

- Em geral, dá. Por sorte nem todas as perguntas ficam sem resposta! Em filosofia também existem problemas que encontram solução. Nem sempre, evidentemente, pois acontece de toparmos com novas perguntas que só fazem aumentar o embaraço. Mas isso não é grave. Ao contrário, é até bom…

- Se é embaraçoso, não é uma coisa boa!

- Na verdade é. Só que temos de nos entender primeiro sobre o sentido do termo “embaraçoso”. Na vida de todos os dias, preferimos o que não é embaraçoso. Afastamos as coisas que ocupam muito espaço (as embalagens, malas grandes), que estorvam fisicamente e que impedem os movimentos. Mesma coisa no que se refere à mente: normalmente, procuramos expulsar as preocupações que poderiam se tornar paralisantes, que poderiam criar um incômodo na nossa cabeça ocupando espaço demais.

Esse não é o sentido que convém se quisermos compreender por que os filósofos no final das contas gostam das perguntas que provocam embaraço. O embaraço, nesse caso, é o que espanta e faz avançar. Se eu lhe perguntar o que é um número, primeiro você fica embaraçada, no sentido de que descobre que não sabe o que dizer embora parecesse tão evidente. O homem para quem Sócrates pede para definir coragem ou a beleza experimenta a mesma sensação. É também a perturbação que Agostinho sente quando lhe perguntam o que é o tempo.

Acho que a filosofia nasce dessa forma de perturbação, dessa espécie particular de mal-estar. É seu ponto de partida. Na verdade, é como o espanto. Pensamos: “Como! Não sei claramente o que é um número? (Ou a coragem, ou a beleza). Vou ter de pesquisar!”.

A filosofia começa sempre com essa descoberta de nossa ignorância. Não conseguimos responder, embora pensássemos ter a resposta e ser capazes de dá-la sem dificuldade.

- É meio desestabilizante essa sensação de não saber mais…

- É, não é confortável. É bem mais tranqüilizador ter respostas prontas, já feitas. Essa descoberta da nossa ignorância provoca a cada vez um choque. Primeiro, desestabiliza, é verdade. Como uma puxada de tapete, nos desequilibramos, ficarmos sem ponto de apoio. Desse ponto de vista, a filosofia é sempre “inquieta” – no primeiro sentido desse termos, isto é, não tranqüila, sem repouso. Ficamos sempre mais calmos com certezas. Você tem razão quando diz que há nisso algo de desagradável. Aliás, é por isso que não se gosta muito dos filósofos em certos casos: eles nos impedem de ficar adormecidos, eles nos acordam. E, por causa deles, é preciso pôr-se a caminho.

- Para ir onde?

- Adivinhe!

- Procurar a verdade?

- É claro! E é uma viagem que pode ser longa, difícil, cansativa e sem garantia que terminará bem. Ainda assim, desde que a filosofia apareceu na história da humanidade, sempre existiu gente disposta a sacrificar tudo para se lançar nessa aventura.

- Por que eles fazem isso? Por que todos eles buscam a verdade?

- Pelo motivo bobo de descobri-la! Alguma coisa nos seres humanos os faz desejar a verdade. Não nos ocupemos em procurar saber de onde isso vem nem como funciona. Essas questões nos levariam longe demais. Mas temos de marcar a importância dessa “alguma coisa” que faz procurar a verdade. Também é chamada de desejo de saber. É a mesma coisa: ninguém deseja conhecer algo falso. Quando queremos saber, queremos saber a verdade.

- Mas não são só os filósofos! Também a gente, os jovens, os pais…

- Certo. E quem mais?

- Os cientistas, por exemplo, como dissemos no começo.

- Tem toda a razão, mas, na verdade, é parecido. Entre os filósofos e cientistas não há muita diferença.

- Como assim? Não são a mesma coisa!

- De fato, hoje se tornaram muito diferentes. E o trabalho dos biólogos, dos químicos ou dos geólogos parece, com razão, muito distante do dos filósofos. Mas essa separação é relativamente recente. Durante séculos, os filósofos faziam ciência, matemática, física, ao mesmo tempo em que refletiam sobre questões de moral ou de política.

Há um único desejo de saber, de saber tudo, em todo caso de saber tudo o que é possível compreender e conhecer. E em todos os campos. É por isso que os filósofos da Antiguidade, da Idade Média e ainda os da época clássica procuravam saber a verdade a respeito do mecanismo das marés como a respeito do melhor governo. Isso não os impedia de se indagarem ao mesmo tempo sobre o que é o bem, a justiça, a felicidade, ou a amizade. Podiam ocupar-se de entender ao mesmo tempo como está constituída a alma humana e como se dá a digestão nos peixes…

O sonho da filosofia era, com efeito, conseguir conhecer tudo, poder abraçar a totalidade dos saberes. Por trás desse sonho havia a idéia de que a verdade não está recortada numa multidão de setores independentes uns dos outros: aqui a biologia, ali a política, em outro lugar a moral.

- Mas como todas essas pesquisas podiam se combinar?

- Para nós, hoje, não é fácil de entender. Custa-nos imaginar como era a situação antes da separação dos saberes em vários campos muito distintos. No entanto, essa concepção de uma unidade do conhecimento durou muito tempo e era muito forte. Marcou profundamente a história e o próprio projeto da filosofia. Por isso não é inútil insistir mais uns dois minutos, se você não se importar, sobre…

- Certo, mas seja breve, já estou ficando cansada.

- Uma única palavra: “sophós”. É grega e quer dizer duas coisas ao mesmo tempo: “erudito” e “sábio”. Para os gregos da Antiguidade, os dois sentidos não se distinguiam: ser erudito também é saber viver bem a vida. Ser sábio é necessariamente ter adquirido conhecimentos.

Há um personagem que é impossível nessa visão das coisas: o “cientista maluco”, aquele que possui uma considerável ciência mas que tem a ambição de possuir o poder supremo.

- “Hahaha!… vou apertar esse botão e serei senhor do mundo… hahaha!”

- Isso mesmo. Esse personagem é impensável para um grego da Antiguidade. Se esse homem é um erudito, será bastante sábio para não sonhar em se tornar senhor do mundo. E, se quer dominar o mundo, é porque não é um verdadeiro cientista. Os gregos pensavam profundamente que o conhecimento do que é verdadeiro contém o conhecimento do que é bom. Saber não era apenas se instruir, era também se transformar, se tornar melhor.

- O que isso tem a ver com a gente?

- Pelo menos isto: o adjetivo “sophós”, “sábio-erudito”, você encontra em “philosóphos”, filósofo. “Philó”, ainda em grego antigo, é amar de amizade, ser amigo de, desejar. O filósofo é aquele que deseja se tornar “sophós”, é o amigo de “sophía”, ou seja, o conhecimento-sabedoria. Veremos como esse duplo significado, dois em um (saber e sabedoria são expressos por uma única palavra, “Sophia”), vai se dividir e se separar no curso da história. Alguns considerarão a filosofia um amor à sabedoria, outros, a busca do saber. Mas, por enquanto, vamos parar por aqui. Já avançamos bastante para um começo. Bom descanso!

Mini-guia de como votar

Em toda eleição a sensação que tenho é de um grande ponto de interrogação, de uma grande dúvida, em relação a quem escolher, pois vejo para todo lado gente querendo enrolar, mentir, enganar, me fazer acreditar numa porção de coisas, ou me pedindo para confiar (em quem eu nem conheço!), me tratando como idiota, bobo, etc. Minha tendência pessoal e natural é simplesmente ignorar completamente essa palhaçada.
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Uma das coisas que mais me irrita em relação à política é o marketing político. Ver candidatos feito bonecos decorando textos, tentando me emocionar, ou tentando usar gestos, sorrisos, olhares para mostrar que são pessoas de bem, que são sérios, firmes, que não estão mentindo é uma das coisas mais ridículas que pode haver e que chegam a causar nojo. Sem falar também de pessoas que sempre aparecem nessa época dizendo conhecer ou muito bem ou muito mal sobre um candidato e desejam te falar sobre esse candidato. Como saber?
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Pensando em tudo isso tive a idéia de elaborar esse mini-guia para ajudar (me ajudar e ajudar a vocês) a se situar, ter alguns critérios para avaliar se estão mentindo ou não, se são bons candidatos ou não. Infelizmente, não há garantia de nada. O que podemos colher por aí são dados e informações que estão acessíveis a todos pelos sites. Mais do que isso é difícil. Só participando ativamente, acompanhando alguns canais de TV específicos (TV Senado, TV Câmara, TV Assembléia Legislativa, etc), acompanhando jornais, revistas. Estar atento. Afinal, os nomes costumam se repetir. Apesar que só para o senado são 81 senadores (3 senadores por estado), 513 deputados federais (proporcional à população do estado), 40 deputados estaduais (em Santa Catarina), 16 vereadores (em Florianópolis), 13 vereadores (em São José). Mas isso sem falar nos novos candidatos que nunca participaram das eleições antes.
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Nestas eleições de 2010 votaremos em um presidente, um governador, dois senadores (2/3 dos senadores), um deputado federal e um deputado estadual.
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O tempo de mandato do presidente e do governador é de 4 anos, do senador de 8 anos, do deputado federal e estadual de 4 anos. Senadores, deputado federal ou estadual podem se reeleger infinitas vezes. Somente o presidente e o governador podem se reeleger apenas uma vez.
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Bom, antes de começar a fuçar sobre os candidatos, sua história, suas contas e etc; é interessante pesquisar um pouco sobre direita, esquerda e centro.
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Aqui vão alguns pequenos textos falando sobre isso (a origem desses termos direita e esquerda em diversos países inclusive e outras informações muito interessantes, vale à pena!).
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Esquerda, direita e centro: site –  O Sabe Tudo
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Esquerda e direita: site da Revista História
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Aqui um texto mais técnico, mais sério que explica desde a origens históricas e diz o que é defendido por direita e esquerda historicamente:
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Quer descobrir se você é liberal, socialista, anarquista, social-democrata? Ou seja, quer descobrir próximo de que ideologia você poderia ser considerado? (Descobrir a sua identidade política). Faça esses três testes e descubra. Dois deles são bem simples e rápidos de fazer já o último é mais trabalhoso:
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http://politicalcompass.org/es/questionnaire – aqui um teste mais demorado, mas mais interessante que os outros dois (em espanhol).
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Depois de uma breve lida sobre direita, esquerda e centro passamos a um outro ponto de nossa análise política: os partidos políticos. Agora você descobrirá um pouco mais sobre os partidos.
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A história dos partidos políticos é recente no Brasil. Para não cansar vocês deixarei o assunto “partidos” (o que são partidos? por que surgiram? por que a palavra “partido”?) para outro momento. Por ora apenas direi que no Brasil atualmente existem 27 partidos. Neste link abaixo vemos os nomes dos partidos, data de fundação, nome do presidente do partido, estatuto do partido, balancetes mensais, etc. É no estatuto do partido que se conhece as idéias principais de cada partido e por conseguinte o que pensa (ou deveria pensar) cada um dos membros filiados a esse partido. Porém muita gente se diz de um partido e não pensa e nem age de acordo (esse é um assunto complexo!).
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Neste outro site da revista Veja podemos ver a evolução histórica dos partidos e há também alguns vídeos curtos nos quais se conta a história do surgimento dos partidos: (foram escolhidos representantes de alguns partidos para comentar a história do surgimento do partido do qual faz parte)
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Maiores curiosidade sobre a história dos partidos políticos no Brasil:
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E aqui no site do Plenarinho explicando sobre cada partido de maneira bem simplificada e falando um pouco sobre o que são os partidos políticos:
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Bom, depois disso tudo, espero que não tenham cansado, pois agora que realmente começará a investigação! Aqui vão alguns sites onde se pode saber mais sobre os candidatos – ao menos sobre aqueles que já foram alguma vez eleitos. É possível descobrir e ouvir ou ler seus pronunciamentos, seus projetos, no que votaram…, suas contas, etc.
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Os senadores: (em exercício):
Percebam que ao lado direito depois que você clica no nome do senador tem alguns links: comissões, proposições, pronunciamentos, apartes, matérias relatas, verba indenizatória.
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Os senadores: (fora do exercício)
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Os deputados federais em exercício:
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Você acessa o site e clica no nome do deputado federal em exercício. Abrirá então uma nova janela com foto e nome do deputado, com seu partido. Do lado esquerdo, embaixo da foto do candidato: projetos de sua autoria, projetos relatos, cota parlamentar, discursos em plenário, vídeos, áudios, e-mail, endereço para correspondência.
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Neste mesmo site http://www2.camara.gov.br/deputados/pesquisa é possível pesquisar sobre deputados fora do exercício.
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Sobre deputados estaduais de Santa Catarina (os 40 deputados em exercício):
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Basta clicar no nome do deputado que abrirá uma tela com foto, nome do deputado e as vezes que ele já foi deputado. Logo acima do nome do deputado: apresentação, biografia, eleições, notícias, proposições, pronunciamentos.
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E aqui um jornal da Assembléia Legislativa para saber as principais notícias da Assembléia Legislativa do estado de SC:
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Você sabia, por exemplo, que um candidato com mais votos que outro pode não ser eleito? Você sabia que o voto num candidato pode eleger outro? E que é a legenda (o partido) ou a coligação (agrupamento de partidos) que ganha o direito de possuir tantas vagas num mesmo parlamento? E você sabe como funciona esse cálculo? Abaixo cito o exemplo de como funciona o que a Justiça Eleitoral chama de quociente eleitoral e quociente partidário (link abaixo), que determinam o preenchimento das vagas. Reserve um tempo mínimo para entender esse processo. Ele lhe ajuda, muito, (você vai ver) a votar com mais consciência. (Vinícius Vicenzi)
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Câmara dos Vereadores de Florianópolis (os 16 vereadores)
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Basta clicar em “leia mais” e procurar pelo site do vereador. Ver os projetos propostos, as votações, etc.
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Câmara dos Vereadores de São José (os 13 vereadores)
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Infelizmente, apenas alguns vereador escreveram o seu “currículo”. Então você clica em currículo e descobre um pouco sobre os vereadores.
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Câmara dos Vereadores de Palhoça (os 11 vereadores)
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Basta clicar no nome do vereador que aparecerá uma nova janela com informações mais detalhadas, projetos de lei, e-mail, etc.
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Agora, para saber sobre a declaração de bens dos candidatos (de 2010):
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Como usar? Entre no link abaixo. Clique, por exemplo, no estado de SC. Vá em governador e ao lado ponha “apto” e veja o resultado. Quando você clicar no nome do candidato aparecerá uma nova janela com nome, situação do candidato, site, partido. Abaixo, nesta nova janela, aparecerá: declaração de bens, certidões criminais, prestação de contas, situação do processo. É possível clicar em qualquer uma dessas informações.
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A Rede Record fez algo bem bacana neste ano de 2010. Convidou todos os candidatos à presidência para uma sabatina. Todos tiveram mesmo tempo para responder diversas perguntas dos internautas, dos jornalistas e deu para ficar razoavelmente claro o que cada um pensa. Até mesmo candidatos como Rui Pimenta, ou José Maria, Plínio de Arruda Sampaio, Eymael, Fidelix, Ivan Pinheiro. Abaixo um link para vídeos de trinta minutos de cada um desses candidatos (um resumo de meia hora da sua sabatina – para acesso a sabatina completa basta acessar o portal R7):
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Dica enviada por Vinícius Vicenzi: www.votenaweb.com.brLá você vê todos os projetos de lei em tramitação no congresso, quem propôs, um resuminho dos objetivos com link para o projeto completo.  É possível votar também a favor ou contra os projetos, então é interessante também para ver como os internautas votam em diferentes questões, quais são as mais votadas.
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Mas professor, eu não sei nem o que faz um deputado federal! O que eu faço? Pergunta ao Tiririca! Não, não, brincadeira. Assiste esse vídeo aqui:
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Você que acha uma chatice, uma perda de tempo votar, veja a história do voto no Brasil:
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Se você é de São Paulo neste site você pode acompanhar a atuação dos vereadores e deputados estaduais. Infelizmente, isso ainda não foi feito em outros estados brasileiros, mas pode muito bem ser feito. Consulte no site abaixo as notas que o vereador ou deputado paulista recebeu:
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Mas, professor, me diga o que faz um senador!
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E um deputado estadual? O que ele faz?
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E o que faz um presidente da república?
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E o vice-presidente?
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Há um site e um perfil no twitter que foram criados este ano para que qualquer um de nós vendo ou sabendo de irregularidades por aí possamos denunciar. Claro, isso tem que ser feito com muito cuidado e responsabilidade. Leiam os relatos e os comentários (muito interessante):
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Se alguém tiver dúvidas sobre voto em branco, voto nulo, voto em trânsito e a questão da proporcionalidade de deputados estaduais e federais consulte o site do TSE na seção Escola Judiciária Eleitoral:
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Legal também está sendo a mobilização da MTV com a campanha Tome Conta do Brasil. Aqui o site deles com diversos vídeos e textos sobre política (justo a MTV que há uns anos atrás foi tão criticada por conta de um vídeo que levava os jovens a compartilhar do nojo em relação a política suja sem propor nada). Abaixo é possível ver a campanha “Ovos e Tomates” da MTV e logo em seguida um link para o site do projeto Tome Conta do Brasil:
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http://www.youtube.com/watch?v=wHoXa6Iusno (MTV, Ovos e Tomates, 2006)
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http://www.formspring.me/tomeconta (clique aqui para fazer suas perguntas anonimamente ou não – pergunte tudo que você sempre quis saber sobre política, mas tinha vergonha).
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Espero, sinceramente, que estes links o ajudem, ou a ajudem a escolher melhor.
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Você sempre se interessou por política e quis entender melhor o que é essa coisa? Então a dica é para este curso de Iniciação à Política totalmente de graça e online:
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Curso de Iniciação Política (gratuito e online – cadastro rápido e breve)
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Daniel

Manuais “Arte de Pensar”

arte de pensarNo Brasil ainda não temos nada que se compare com os manuais “Arte de Pensar” de Portugal desenvolvidos para serem trabalhados com alunos do ensino médio de lá. O objetivo desses manuais é apresentar um pouco de história da filosofia, fornecer ferramentas para que os alunos possam filosofar (ensina-se no início bastante lógica formal e informal) e em seguida apresenta-se os textos dos filósofos (procurando sempre apresentar visões conflitantes sobre um mesmo problema filosófico). Exige-se do aluno que consiga não apenas interpretar bem os textos, mas diferenciar um problema filosófico de um problema não filosófico, que seja capaz de analisar argumentos e dizer se são bons ou não, se concorda ou não criando, assim, seus próprios argumentos. Não há fórmula fechada e pronta para dizer quais são os bons argumentos, mas há algumas idéias de quais seriam os maus ou péssimos argumentos. O aluno vai aprendendo a filosofar à medida que treina e constrói e reconstrói argumentos. Abaixo cito alguns links de capítulos dos manuais e também orientações que dão para os professores ou ainda falando sobre a proposta desses manuais. O que me pergunto é: quando pensaremos em manuais assim visando esse objetivo? Não entendo ao certo como fazemos para “filosofar” com nossos alunos. Muitos professores que vejo por aí “filosofam” com seus alunos de maneira bem solta e “livre” sem grande rigor ou cuidado. O aluno nem sabe se está ou não está filosofando, ou no âmbito da filosofia. Enquanto isso o professor se diverte, se deleita sem ser crítico do seu próprio trabalho.

No Brasil nem “Convite à Filosofia“, nem “Filosofando“, nem “Para Filosofar“, nem “Pensando Melhor” (livro prefaciado e elogiado por Rubem Alves), ou o Livro Didático de Filosofia do Paraná elaborado pelos próprios professores da rede desse estado (sob ‘supervisão’ de um parecerista externo) se aproximam dessa proposta.

Aqui um trecho tirado do Livro do Professor (Arte de Pensar):

(…) o que se exige do estudante não são meros relatórios do que acabou de estudar; mas também não são meras opiniões irreflectidas e desconhecedoras. O que exigimos do estudante é que ganhe a pouco e pouco a autonomia intelectual que lhe permita ter uma perspectiva pessoal mas informada e reflectida das matérias dadas. Informada, porque o estudante tem de conhecer a tradição filosófica relevante: não pode limitar-se a pensar por si sem ter em conta as teorias e argumentos dos grandes filósofos clássicos e contemporâneos estudados. E reflectida porque o estudante tem mesmo de tomar uma posição e dizer o que ele próprio pensa, depois de ter reflectido com um mínimo de seriedade nas matérias em causa. (…)

Guia

Livro do professor:

Avaliação das aprendizagens em filosofia:

Índice: 10.° ano

Primeiro capítulo, livro para 10° ano:
O que é filosofia?

Quarto capítulo, livro para 10°ano:
Determinismo e liberdade na ação humana

Quinto capítulo, livro para 10° ano:
Valores e valoração, a questão dos critérios valorativos

Nono capítulo, livro para 10° ano:
A necessidade de fundamentação da moral

Décimo terceiro capítulo, livro para 10° ano:
A arte: produção, consumo, comunicação e conhecimento

Índice: 11° ano

Capítulo 5 Estrutura do acto de conhecer

Capítulo 7 Conhecimento vulgar e conhecimento científico

Capítulo 11: Ética, direito e política (manual anterior a 2008)

Capítulo 12: A experiência e o juízo estéticos (manual anterior a 2008)

Problemas de Filosofia Política
António Paulo Costa

Glossário:

O objetivo que se atinge são esses:

Trabalhos dos estudantes:

Interessante que depois ligava com os Exames Nacionais. A prova estava em acordo com aquilo que era ensinado nos 10°, 11° e 12° anos. Porém isso foi até 2007 e depois acabou. O pessoal do site criticanarede.com e as associações de professores de filosofia de Portugal criticaram, manifestaram seu descontentamente, mas não teve jeito.

Exames Nacionais do Ensino Secundário – Filosofia
Planos de estudo criados pelo Decreto-Lei n.º 286/89
de 1997 – 2007

Algumas causas do insucesso escolar

estudando-6

1) Barulho excessivo. Que o adolescente goste de conversar todo mundo sabe, porém se esse não se controla acaba exagerando e dessa maneira não consegue acompanhar os raciocínios e explicações dos professores que exigem sempre silêncio, atenção e concentração. Exemplo: imagine você numa aula de matemática que fique conversando ou que fique com a cabeça em outro mundo, em outras coisas, se você perde a linha de raciocínio de resolução do problema você não vai entender mais nada. E também não irá adiantar tentar resolver exercícios sozinho, pois se você se perdeu e não pediu ao professor que voltasse, então você não vai conseguir. A menos que consiga depois que algum colega lhe explique ou que consiga ver em algum livro ou site passo a passo e segui-los sozinho.

2) Arrogância. Todos sabem que adolescentes são extremamente arrogantes, mas precisam aprender a moderar isso, porque do contrário deixam de aprender e persistem em erros bobos. A arrogância e aprendizagem são totalmente opostas. Se o aluno acredita que já sabe sobre um determinado assunto ou que ele já entendeu tudo que havia para entender de um determinado conteúdo então a partir deste momento ele não aprende mais nada. Exemplos de arrogância: o professor de física, ou filosofia, ou geografia vai corrigir o aluno de um erro de grafia. O aluno imediatamente encontra uma justificativa para não ter que ouvir o que o professor lhe diz: “você é professor de português?”, ou “o professor também não erra?”. Ou seja, o aluno é incapaz de aprender. Está fechado na sua arrogância e não ouve, não aprende.

Uma outra situação boba em relação à arrogância é quando um aluno acabou de aprender um conteúdo e o seu colega tem dificuldades de entender. O aluno na hora já condena o colega: “você é muito burro!”, “eu nunca teria paciência para ser professor!”. Quando é conosco toda paciência do mundo é requerida, já com os outros que se danem.

Outra situação: “ah isso eu já sei, professor!”, “isso nós já vimos”. Ah sim? Então explica. “Humm, ah era mais ou menos que falava de que…”. Nessas horas faria bem Sócrates. E foi por isso que Sócrates foi morto, por desmascarar tanta ignorância daqueles que se pretendiam os conhecedores, os que “já sabiam” sobre tudo.

3) Criação de dialetos. Os alunos hoje em dia cada vez menos conseguem entender o português padrão. Seja por causa da linguagem dos bate-papos virtuais, seja por causa das gírias excessivas que criam, seja porque lêem muito pouco e porque escrevem quase nada em português formal. Poderiam muito bem criar um blog e escrever alguns pensamentos e idéias que possuem, ou algum conto, ou poesias, ou mesmo um diário particular, que poderiam criar para praticar. Os alunos mesmo no ensino médio ainda têm dificuldade de entender que a escrita é diferente da fala. E que para escrever bem precisam de humildade, querer aprender, treinar bastante e ler. Os alunos ainda costumam dizer: “quando estou na internet escrevo ‘tudo errado’”. Como a aprendizagem depende de treinamento  também, os alunos acabam treinando e aprendendo o famoso “internetês” ao invés da linguagem formal. Seria isso também culpa do senhor Marcos Bagno e suas teses sobre o “preconceito lingüístico“? Não estaríamos caindo justamente no que os críticos do sr. Bagno já temiam? Ou seja, o aluno preso dentro de uma capsula não conseguindo compreender nada além daquele contexto de linguagem que ele criou.

4) Não ver sentido no que lê. Os alunos costumam ler passivamente. O que isso significa? Que já se acostumaram a ler um texto sem que esse lhe faça o menor sentido. Os alunos não ficam incomodados que não entendam um texto. Porque se acostumaram que ler e entender são coisas diferentes. Mas aí vai uma novidade meio antiga: Não são! Leitura sem entendimento é como um robô que sabe pronunciar os sons das palavras, mas não sabe o que está dizendo. O aluno precisa se esforçar por entender os textos com todos os recursos que ele possuir: ler o texto se fazendo algumas perguntas e tentando respondê-las mentalmente, ler o texto e escrevendo nele palavras pesquisadas no dicionário, se esforçando para ler uma frase inteira e tentar assim buscar o sentido da palavra desconhecida na frase, pesquisar na internet ou em livros informações desconhecidas, etc. Há ainda sobre esse assunto o problema que como o adolescente não está muito acostumado com a leitura, então facilmente desiste ao se deparar com palavras, informações, nomes que não conheça. Como não tem prática de pesquisar e procurar saber, conhecer, então desiste logo. Mesmo jornais e revistas apenas procura ler somente ou caderno de esportes, horóscopo, resumo das novelas, ou páginas policiais. Isso quando não ficasó nos placares e nas imagens. Esses dias vi um aluno na biblioteca lendo um livro: me assustei e me animei ao mesmo tempo, porém depois vi que era um livro de imagens divertidas.

Como ler um livro?

5) Excesso de pressa. Os alunos são muito apressados. Acreditam, talvez, que como vivemos numa época muito dinâmica, onde tudo é muito rápido, que aprender também seja assim: pá, pum, tá aprendido! Errado! Pá, pum, nada. É preciso calma, silêncio, TEMPO, para se assimilar conteúdos novos. Ler quantas vezes for preciso em busca do sentido. Então o aluno lê um texto todo corridinho e por cima, passa os olhos, lê uma prova totalmente desatento, responde uma prova em questão de segundos, faz um trabalho da mesma forma. Ou seja, não quer “perder” tempo com o seu próprio aprendizado. E no fim quer ser premiado por isso, ou quer achar que realmente aprendeu algo. Infelizmente, não aprendeu e está longe de aprender. Enquanto não mudar essa postura dificilmente irá aprender.

6) Relativismo vagabundo. Hoje em dia o relativismo está na boca do povo. E como não poderia deixar de ser está na boca dos alunos também. O professor ensina algo e o aluno diz: “isso é o que o senhor pensa, professor!“. Isso ainda não chegou na aulas de ciências naturais, ou exatas. Mas em filosofia, sociologia, história, dependendo do que se diga, ou se explique, o aluno crê que pode desqualificar tudo que o professor está dizendo com essa simples frase. Até concordo que o aluno verifique se as informações dadas são verdadeiras ou não, se estão corretas ou não, mas simplesmente anular tudo que o professor está explicando? Até mesmo em correção de provas já ouvi de um aluno: “como tirei essa nota? isso é o que senhor pensa! o que eu penso está correto“. Quer dizer que a objetividade deixou de existir? É o reino das opiniões? Se as teses relativistas fossem radicalizadas na escola os alunos começariam a contestar inclusive matemática, física, química usando-se dos conceitos, dados e informações que eles possuem nas comunidades onde vivem, levando em conta o contexto onde moram, o saber produzido por aquela comunidade, etc. Absurdo.

EduacaoNotas

7) Inversão de cobrança. Há uma tirinha que mostra como era a escola há 30, 40 anos atrás onde o aluno quando tirava notas ruins os pais cobravam dele e hoje em dia quando o aluno tira notas ruins os pais, os alunos, a direção, os secretários da educação e se bobear até o ministro da educação cobram dos professores que se atualize, que mude seus métodos, que valorize mais o que o aluno já traz, que reveja seu método de ensinar, avaliar, que compreenda os “tempos modernos”, etc. “Temos modernos” esses que ninguém sabe dizer exatamente como são. Essa “aprendizagem moderna” que está aí a produzir legiões de analfabetos funcionais. Porém se crê que tudo isso se deve a um atraso por parte dos professores a se adaptar ao novo contexto. Gostaria que explicassem exatamente que contexto é esse onde os alunos aprendem com barulho, sem esforço, sem disciplina, sem estudo pessoal, sem leitura significativa, sem provas, etc. Por favor, me atualizem.

8) Trabalho e aprendizagem. Os pais costumam em um bom número achar que trabalhar é mais importante do que os estudos, do que aprender. O conhecimento para os pais possui um valor superficial. Eles defendem e aparentemente se importam com a escola, com os estudos, porém tudo apenas com o objetivo de que seus filhos consigam sair de casa e tenham um bom emprego. Tanto assim que se surgir a oportunidade de um bom emprego para um aluno de escola pública de comunidade mais simples o pai fará de tudo para que o aluno consiga o emprego e se der para estudar, tudo bem, porém se não der, paciência. O conhecimento como algo que motiva, anima, alimenta o ser humano é algo que passa longe. O conhecimento como instrumento para o ser humano se entender melhor, viver melhor, agir politicamente com mais consciência e etc é algo que perdeu todo o sentido. O conhecimento é mero meio para ascensão social. O que é lamentável. Uma redução incrível da humanidade do homem a sua condição de trabalhador.

9) Ausência de material adequado ao nível cultural dos alunos. Com alunos analfabetos funcionais, ou semi-alfabetizados, acostumados com linguagem de internet, gírias, completamente desacostumados com a leitura, que ainda não perceberam que escrita e fala são coisas diferentes, com vocabulário pobre, com informações muito precárias, ou pouco ricas, não há um livro que seja capaz de servir perfeitamente para um aluno assim. Não há, simplesmente não há. A menos que se use com alunos de ensino médio livros que usuaríamos para crianças. Ainda assim quando formos explicar é preciso de todo um cuidado para se fazer entender, se fazer claro. Quando entro numa livraria já me desanimo ao folhear os livros e ver todas aquelas palavras que já sei que meus alunos não conhecem, ou todas aquelas informações que sei que eles não dispõem e nem correrão atrás para conseguir entender o texto e ainda enriquecer seu vocabulário pessoal.

10) Falta de autonomia. Ou seja, o aluno não é autônomo. Depende sempre que cobrem dele, exijam dele constantemente. Cobrem horários, material, trabalhos, estudo pessoal, que leia, etc. Isso é terrível! Por quê? Porque o dia que não cobrarem ele não fará. E ele só faz porque cobram e não porque ELE QUER, porque ele vê sentido, porque ele entende que é importante, útil e, principalmente, prazeroso! Precisa de alguma regra fora dele dizendo para ele como se comportar, como fazer. A palavra autonomia vem do grego e significa lei própria. Ou seja, o sujeito autônomo seria aquele que se dá a si mesmo as leis, as regras e procura viver de acordo com essas. Ao contrário do aluno heterônomo que precisa de uma lei externa, fora dele (heteronomia). Alunos que precisam sempre de alguém tirando pontos deles, dando “puxões de orelha” verbais, sermões para ver se ele consegue finalmente entender que aquilo é importante para ele. Essa é a maior das batalhas. Se o aluno se torna autônomo, consegue ele próprio se organizar, estudar, sem que ninguém lhe cobre, se ele pesquisa, se interessa sozinho, meu deus, ele está, sem brincadeira alguma, a um passo do paraíso. Esse aluno está prestes a se tornar um modelo para tantos outros. Foi o que fez a escola da Ponte em Portugal, investiu no desenvolvimento da autonomia dos alunos trabalhando por projetos e hoje consegue atingir excelentes resultados de aprendizagem com alunos considerados problemas, difíceis. Consegue ensinar em tempo recorde e uma aprendizagem efetiva. Entrevista com José Pacheco: http://www.youtube.com/watch?v=FIbbMEiVmoU

11) Ausência de sonhos. Um aluno de ensino médio de escola pública está muito desanimado, desmotivado na maioria das vezes. As coisas que o motivam são: parafernálias tecnológicas (celular, videogames, televisões de última geração, ipods, computadores etc), namorar, festinhas, a possibilidade de algum trabalho. Um aluno de ensino médio de escola pública não costuma pensar em universidade. Acha tudo isso muito distante, muito longe de sua realidade. Pouco importa que venham pessoas do Acre, ou de municípios do interior do estado como Trombudo Central, Xaxim, etc e tirem suas vagas na UFSC ou UDESC ou IFSC. Para o aluno é mais importante arranjar uma namoradinha, um namoradinho, fazer sexo, considerar-se mais maduro por isso, engravidar, ter um filho, morar junto e só. Um trabalho no supermercado, ou atendente de loja, telemarketing, ou com os próprios pais e a vida é isso. Alunos imaturos que fazem sexo e se consideram maduros por isso. Quem dera que os alunos fossem mais inocentes para essas questões sexuais e se focassem realmente em conhecer, aprender. É lamentável que muitos alunos possuam uma visão tão limitada da vida e não tenham sonhos maiores (e que não persigam esses sonhos obsessivamente).

12) Estudo como valor. Houve épocas que o estudo era um valor importantíssimo. Para alguns era importante porque fazia com que a pessoa se destacasse na sociedade como alguém culto, inteligente, respeitável. Para outros era importante porque realmente motivava a conhecer mais as coisas: aprender um novo idioma, ler um clássico da literatura, conhecer melhor o universo, entender o que disseram os grandes pensadores da humanidade, dialogar com as mentes mais instigantes que a raça humana já produziu, etc. Para outros era a possibilidade de ascender socialmente. Subir na escala social. Então havia uma pressão grande para que se estudasse, se dedicasse. As pessoas que tinham quarta série, ou quinta série primárias eram muitíssimo orgulhosas disso. Lembro de um senhor muito humilde que conheci que se orgulhava muito de ter a quinta série primária. Lê jornais, revistas até hoje e os compreende. Apenas com a quinta série! Um aluno de ensino médio hoje não sabe sequer ler! Portanto, hoje em dia, o saber perdeu a importância e o valor. Muitos grandes empresários, pessoas da alta sociedade, políticos são completamente ignorantes. São pessoas que cometem erros grosseiros de conhecimento, que consideram o saber uma bobagem menos importante do que ter dinheiro e ao invés de se instruir contratam as pessoas que eles chamam de “nerds” que “perdem seu tempo” estudando e não fazendo outras coisas “mais divertidas” ou “estimulantes”. Não são poucos os empresários, artistas, políticos que se orgulham de ser ignorantes.

13) Conhecimento como prazer. É impossível que os alunos não consigam se motivar pelo prazer que o estudo proporciona. Aprender uma nova língua (seja ela qual for), ler um livro clássico que comoveu milhões de pessoas e se tornou uma peça rara e importante para uma nação, ou que tenha se tornado imortal e se leia até hoje (lembrem de livros como a Ilíada e a Odisséia de Homero, com mais de dois mil anos e que até hoje são clássicos importantíssimos). Ou um livro de história que ajude a entender melhor como chegamos até aqui, por que pensamos o que pensamos, por que há as instituições que temos… Ou livros de ciência que nos estimulem a querer entender o universo, a natureza, a querer explorar mais. O conhecimento por si só é estimulante. Porque como diria Aristóteles “todo homem deseja por natureza conhecer“. Resta saber por que motivo os alunos encobrem essa sua natureza com outras coisas, outros interesses e deixam de querer buscar o conhecimento para gastar horas com outras atividades. Se vê claramente a diferença entre uma criança de 11 anos (quinta série) e um adolescente de 15, 16, 17. A criança é naturalmente curiosa e animada, empolgada, quer saber de tudo. Quanto mais nova mais curiosa. O adolescente tem aquele perfil sonolento, entediado, desanimado, jogado, tudo é um tédio, não vê a hora de chegar em casa e ir para o MSN, ou para o videogame, ou para suas músicas. Com o conceito de adolescente criamos monstros que em outras gerações não existiam.

14) A idéia de adolescência. Em outras épocas não havia um respeito pela idade da adolescência. Nem existia essa idéia. A criança era vista como um pequeno adulto que já podia realizar tarefas de adultos. Meu avô aos oito anos trabalhava como pequeno adulto. Tinha lá algum brinquedinho, quando tinha, não podia de maneira alguma participar das conversas dos adultos (hoje há adolescentes dizendo aos pais como devem viver, agir, etc), não havia uma moda específica para essa idade (roupas próprias), livros próprios escritos para adolescentes (isso nunca existiu!), mas de maneira geral era educado para ser uma pessoa séria, para não falar bobagens, ouvir mais do que falar. Hoje, acreditamos que existe uma idade chamada infância e outra adolescência que devem ambas ser respeitada. Se o adolescente não quer estudar, tudo bem, é assim mesmo, dizem. “É da idade, professor”. Se o adolescente passa o dia todo em frente a tv, ou ouvindo música também é da idade. O que isso significa? Que nesta idade é assim e que nada que eu fizer vai mudar isso? Então, por favor, tragam-no de volta aqui quando ele sair dessa “fase”. Entendo que nesta idade o adolescente queira se rebelar, negar a família, buscar seus pequenos grupos, que só se interesse por música e pequenos dramas existenciais, mas com moderação, por favor. Ou que assuma suas escolhas e seja confrontado com a liberdade. A época da adolescência é a dos grandes impulsos, grandes paixões avassaladoras e decisões impensadas. Se o adolescente arcar com a responsabilidade que a liberdade lhe proporciona, ótimo. Do contrário acho muito sério. Se tornará depois de uns anos como se diz por aí um “adultescente”. Sujeito com 30, 40 anos que se comporta feito adolescente, fala como adolescente, age como tal. Sem responsabilidade, não sabe tomar decisões, se comporta como criança grande, imaturo, desorientado, etc.

Meu avô hoje diz: “eu comi do ruim”. Isso significa que de maneira alguma ele quer esses tempos novamente. E nem eu quero. Mas vejo algumas virtudes de épocas anteriores que hoje se perderam completamente com certos oba-obas da “modernidade”. Eu de maneira geral desconfio de tudo que é moderno, porém também sou crítico em relação ao passado e acho que temos sem dúvida muito que aprender com esse. Afinal de contas, antes as pessoas aprendiam de verdade e hoje não.

A filosofia é útil?

É comum ouvir em sala de aula alguns alunos dizerem: “que isso vai ser útil pra minha vida?“. Quando ouço esse tipo de comentário, penso imediatamente: o aluno quer realmente saber isso que está me perguntando? Ele quer mesmo que eu mostre no que a filosofia pode lhe ser útil e se eu conseguir mostrar ele irá mesmo começar a estudar a filosofia com vontade e dedicação? Ou será que o aluno está me perguntando isso apenas para me provocar, pois no fundo ele próprio já construiu a idéia de que aquilo que estou lhe ensinando é inútil e nada que eu lhe diga vai fazê-lo mudar de opinião? E com base nessa opinião o aluno simplesmente vai deixar de prestar atenção nas aulas, vai colar se possível, não fará as atividades pedidas, quando fizer será de qualquer jeito, não se preparará com dedição para as provas e assim por diante?

Suponhamos que realmente o aluno queira saber se a filosofia pode lhe ser útil ou não na sua vida. O aluno está interessado, curioso nesse assunto. Não tem conseguido dormir por conta desse problema sério. Ótimo! Então vamos lá. Primeiro de tudo: o que queremos dizer com utilidade, útil? O que é isso? Segundo, só aprendemos o que é útil? (nem definimos ainda o que é útil, hein). Terceiro, só devemos estudar o que é útil? Como respondemos a essas questões?

É útil passar horas e horas sem qualquer controle no orkut, no msn, ou vendo televisão ou batendo papo com os amigos, ou com namorada ou namorado? Qual a utilidade disso para a vida de alguém? Desenvolver suas capacidades de interação? Desenvolvimento afetivo? Aprender a socializar? Obter informações sobre a vida de outras pessoas (seres humanos) e com base nessas evitar os erros e ser uma pessoa melhor? É essa a utilidade de se ouvir uma fofoquinha? É por esse motivo? São por esses motivos que perdemos horas de nosso dia fazendo essas atividades ou por que elas nos dão prazer? Elas nos dão prazer imenso. Por isso fazemos isso. Engraçado que quando chegamos na sala de aula cobramos utilidade das disciplinas, não é? Passamos o dia fazendo o que nos dá prazer e quando chegamos em sala queremos utilidade! Os inúteis em busca da utilidade? Não faz sentido, não é mesmo?

Bom, mas vamos deixar isso de lado e fingir que a realidade é outra.

Quando ouço meus alunos falar em utilidade procuro pensar o que querem dizer com isso. Geralmente, costumam usar outra frase: “pra que que eu quero saber disso? de que isso me servirá?“. O aluno acredita que ser útil significa servir para alguma coisa. Servir para fazer algo. Como um manual de instruções (quantos alunos lêem manuais de instrução, hein?!), que lhe serve para aprender a instalar um aparelho de DVD, por exemplo. Precisamos saber qual objetivo que o aluno procura. No caso do DVD o objetivo é colocá-lo para funcionar para assistir DVD’s. No caso do aluno e sua vida qual é o objetivo? Para qual objetivo os conhecimentos aprendidos na escola podem lhe servir? Inúmeros. Realmente, inúmeros. Por exemplo, o aluno pode aprender a escrever de maneira excelente (lendo livros e praticando bastante, levando para a professora ou professor de português toda semana um texto, ou uma poesia) e com isso fazer cartinhas de amor belíssimas para aquelas pequenas lindas que ele deseja conquistar. Com português o aluno pode fazer uma ótima redação, ou uma carta de apresentação para um emprego. Pode aprender um número imenso de palavras e dominar a rima e com isso se tornar um grande rapper, ou um ótimo compositor. Pode ainda aprender a ler jornais muito bem e se informar sobre o que acontece. Pode ensinar outras pessoas a ler e a escrever. Poderá se tornar um grande escritor, ou jornalista. Ser um grande corretor de textos. Ou um blogueiro de sucesso (blogueiro é aquele que escreve em blogs). Ou alguém que é capaz de escrever um protesto do seu bairro sobre a falta de água, ou a falta de luz, ou sobre o aumento da violência. Ou alguém que é capaz de escrever a história do bairro, ou da sua família, etc. Vejam que utilidades não faltam. Basta saber o fim, o objetivo.

No caso da filosofia, os objetivos a serem alcançados podem ser outros. A filosofia te ajuda a pensar melhor. O que isso significa? Com a filosofia você fica mais atento a como as pessoas usam as palavras e os conceitos. Vejam só o que estou fazendo com o conceito de utilidade. Estou tentando entender o que as pessoas querem dizer com isso e quais as conseqüências de se dizer isso (bom, isso supondo que o que estou fazendo aqui tem algo de filosófico, não é? isso pode ser falso). Pensar melhor, então significa estar mais atento ao uso dos conceitos. Por exemplo, o conceito de política. Será que política é sempre algo ruim? Política é sinônimo de podridão, corrupção, lixo? Desde que foi inventada (aliás ela foi inventada ou sempre existiu?) foi com o objetivo de ser algo podre que todos detestassem? Existirá outro tipo de política? Como deveria ser a política? Política é somente aquilo que os políticos fazem? Quais os objetivos da política? Por que não podemos acabar de vez com esse troço? Será que seria ruim não ter mais política? Qual é a origem da palavra política? Que tipos de política que existem? Em todo país é igual?; Ao nos colocarmos essas perguntas e tentar respondê-las estamos pensando sobre o conceito de política. Isso nos ajuda a formar uma opinião sobre conceito de política. Nos ajuda a pensar melhor sobre isso, a entender melhor, a ser críticos quando lemos a palavra política.

Qual o objetivo de aprendermos uma matéria em sala de aula? Geralmente, o único objetivo, infelizmente, é ir bem nas provas. É essa a utilidade. Apenas essa, para a maioria dos alunos. Depois no terceirão ou nos cursinhos de pré-vestibular o objetivo de se estudar é passar no vestibular. Essa é a utilidade. Imaginem só se a utilidade de se aprender um assunto seja não a prova, não o vestibular, simplesmente, mas conhecer melhor as coisas. Não seria muito mais interessante? E MAIS! Vamos imaginar que conhecer melhor as coisas fosse tão prazeroso quanto as horas infinitas que passamos no MSN, orkut, ou com os amigos ou namorando, ou na frente da TV? Não seria fantástico? Além de aprendermos muito mais e com muito mais prazer tenho certeza que nosso desempenho nos vestibulares e provas aumentaria muitíssimo e tudo isso nos faria pessoas muito mais interessantes e inteligentes, não acham?

Podem ler aqui também sobre utilidade da filosofia. Textos bons e nem tão bons assim:

http://filosofafi.blogspot.com/2008/03/para-que-filosofia.html Dona Marilena no seu Convite à Filosofia.

Pra que serve a filosofia? Simon Blackburn – http://criticanarede.com/html/fa_10excerto.html

De onde surge a filosofia? Colin McGinn http://aartedepensar.com/leit_mcginn.html

O que é ciência?

Este ano fiz uma atividade na qual pedia aos alunos que entrevistassem seus professores sobre o que é ciência e se a disciplina que ministram é científica ou não. Notei que quase ninguém sabe ao certo o que é ciência. Entre os próprios alunos a única ciência que parece existir para a maioria deles é a disciplina chamada “ciências” que é ensinada até a sétima série (atualmente, oitavo ano) e depois se torna física e química. Quando se pergunta se a história é uma ciência, ou se a matemática é uma ciência, ou ainda se haveria alguma parte da disciplina chamada ‘português’ ou ‘língua portuguesa’ que teria algo de científico o silêncio se faz em sala. Os alunos se entreolham e não sabem ao certo o que dizer.

Interessante, como é possível que um aluno passe por tantas provas, trabalhos em disciplinas científicas e depois nem tenha idéia do que é a ciência, como ela funciona, como ela formula suas teorias, como comprova ou refuta uma hipótese, o que é um fenômeno científico, o que são evidências e o que não são, como trabalham os cientistas em cada uma das disciplinas, o que é uma comunidade científica, etc. No entanto, quando assistem ao Fantástico ou vêem uma propaganda de televisão acham normal ouvir coisas como: “os cientistas já provaram que tal coisa é certa”, “a ciência descobriu que o amaciante x é melhor do que todos os demais”, “cientistas descobriram essa semana as causas da insônia”, etc. Ninguém fica curioso em saber como eles fazem isso? Quem são “os cientistas”, ou quem é essa “ciência”? Será que é um grupo de pessoas excêntricas que se reúnem em locais fechados e de repente aparecem com verdades sobre o mundo e os homens? Ou será que qualquer um pode ser cientista? Como alguém se torna cientista e o que o cientista faz?

Também porque não se pára um pouco para pensar e ler sobre o que seja ciência, além, é claro, de haver uma cultura científica muito pobre (quantos alunos não me interrogam dizendo coisas como: “o senhor acredita, então, que viemos do macaco? por que que o macaco não evoluiu e se tornou homem, hein?”). Por esses dois motivos entre outros é que surgem as teorias da conspiração (código de Da Vinci, Anjos e Demônios, Zeitgeist, o homem nunca foi à lua, o holocausto nunca aconteceu ou se aconteceu foi um número bem menor do que dizem, etc), ou então falsas idéias sobre o que seja ciência, por exemplo, a idéia que alguns têm de que a bíblia é um livro científico (e não somente moral e metafísico) e serviria supostamente para explicar o surgimento das espécies e por que e como existem tantas e tão variadas e espécies e por que tantas outras desapareceram, ou achar que espiritismo é uma ciência – e muitos pensam isso! – só não dizem ciência do quê, ou não explicam como pode uma ciência nascer de um sussurro, ou de uma iluminação divina ou espiritual para um ser ‘iluminado’, ou não explicam como pode um espírito ser tratado como fenômeno científico – quais os métodos para isso? Quais evidências que sustentam as ‘teorias espíritas’? Existem comunidades científicas espíritas? Ou os já famosos leitores de astrologia - não só os de jornais e revistas, mas aqueles mais arrogantes que fazem mapas e aqueles que acreditam ter uma “fundamentação” séria para essa “ciência”.

Infelizmente, não se ensina nas escolas o que é ciência e seus procedimentos, diversos tipos ou classificações (formal, natural, humana; pura, aplica, etc). Muito menos se pratica ciência nas escolas. Mesmo nas aulas de laboratório de física ou de química o que se faz é tão somente “verificar” o que já se sabia. Ninguém formula uma hipótese qualquer, testa-a e vê se se confirma ou não. Como seria interessante mostrar a ciência viva. Seja a história, a lingüística, a sociologia, a física, a química, a matemática etc. Como iremos fazer com que os alunos tenham vontade de se tornar cientistas se nem sabem o que é isso e como funciona? Como faremos para criar uma cultura científica e crítica mais séria se as pessoas preferem gastar dinheiro com código de Da Vinci ao invés de um bom livro de história? Nesse último caso penso que os livros de teorias da conspiração são mais atrativos com suas polêmicas baratas. Enquanto que os livros de divulgação científica nem sempre são interessantes ou atrativos, ou polêmicos da mesma maneira. É preciso aprender com os ‘conspiradores’ para atrair as pessoas para a ciência.

Indico alguns textos que já trabalhei com meus alunos:

Pode existir uma ciência dos guarda-chuvas? Por que não? O que é ciência, afinal? http://criticanarede.com/html/filos_ciencia2.html

Um exemplo de investigação científica: http://aartedepensar.com/leit_exemplo.html

Ciência e senso comum – http://aartedepensar.com/leit_sensocomum.html

Este não tive a oportunidade de trabalhar ainda, mas é muito interessante. Trata da tentativa de distingüir entre ciência e pseudociência. Os “conspiracionistas” ou conspiradores não podem lê-lo. http://aartedepensar.com/leit_lakatos.html

Filosofia e ciências da natureza, Alguns elementos históricoshttp://criticanarede.com/filos_fileciencia.html

Precisaríamos de um livro que tivesse uma série de exemplos. Algo como:
http://www.ediouro.com.br/as100maioresdescobertas/livro.asp Kendall Haven, 100 maiores descobertas científicas de todos os tempos.
Capítulo disponível no site: http://www.ediouro.com.br/as100maioresdescobertas/leia.asp

As 10 maiores descobertas da medicina
http://www.livrariadafisica.com.br/detalhe_produto.aspx?id=29387

Aqui umas curiosidades: As 7 maiores descobertas científicas do século XX
http://dererummundi.blogspot.com/2007/07/as-7-maiores-descobertas-cientficas-do.html

Professor, mas filosofia não é a arte pensar?

pensar

Defrontei-me com tal questão por parte de aluna de terceiro ano do ensino médio de uma escola pública do município de São José ano passado. Pergunta curiosa que surgiu após a aluna receber uma nota ruim por conta de uma prova sobre falácias e outros assuntos. A aluna então me interroga: “Meu pensamento está errado, professor? Mas filosofia não é a arte de pensar? Meu pensamento não é só diferente do seu?“. Já havia tido contato com certo tipo de comentário semelhante em 2005 quando fiz estágio numa espécie de supletivo para funcionários da UFSC e terceirizados. O aluno do último módulo me dizia: “professor, mas o meu pensamento para mim está certo. Esta nota se refere ao que o senhor acha certo“. Nos comentários da aluna há alguns pressupostos por baixo, passo a analisá-los: 1) De que todo pensamento, por ser pensamento, ou por ser de uma pessoa, é certo e não pode ser julgado; 2) Não faz sentido uma disciplina de filosofia, pois afinal, todos somos filósofos e todos temos nossas idéias e pensamentos e não cabe julgá-los, mas sim, respeitá-los. 3) Não há nada objetivo a partir de onde se possa julgar pensamentos.

Tentei explicar a aluna dando uma resposta meio burocrática. Disse-lhe que se tudo que ela pensa é certo, ou tudo que ela pensa é filosófico, então não faz sentido uma pessoa como eu estar ali a ensinar-lhe algo. Afinal, que fiquei fazendo por quatro anos numa universidade se ao fim qualquer um pode dizer o que quiser e isso não deixa de ser certo, ou de ser filosófico? Esta resposta se refere somente a uma justificativa pela qual alguém pode ministrar aulas de filosofia em escolas. Não enfrenta a questão colocada de frente.

Quanto ao senhor o que lhe respondi foi fazendo uma pergunta: “você, então, acha que não existe objetividade alguma? É o reino das opiniões? Você diz uma coisa e eu digo outra e ficamos assim?“. A prova que fiz com essa turma foi mais complexa. Trabalhei alguns trechos de textos filosóficos e outros tirados de livros de filosofia para ensino médio, sempre no máximo uma página ou duas, que eram, à medida do possível, dissecadas em aula. Na prova pedia, com o auxílio dos textos, que reconstruíssem a argumentação de Platão sobre por que a virtude não poderia ser definida, num trecho do Mênon. E a outra pergunta se referia a um breve trecho do Teeteto de Platão que discutia a questão do relativismo.

O curioso de tudo isso é as pessoas acharem que tudo que elas pensam é certo e não pode ser julgado. Há na escola uma espécie de regra: “quando o professor pedir a opinião pessoal, essa está sempre certa“. Se uma pessoa dá uma opinião pessoal baseada em fatos históricos errados, ou em dados empíricos falsos ou mal interpretados (por exemplo, dizer que algo é vermelho quando na verdade é verde, ou dizer que algo foi provado quando não foi, etc), ou em preconceitos, como é possível que isso esteja certo de alguma maneira? Podemos não saber com clareza e em última análise o que são esses pensamentos certos, mas sem dúvida sabemos identificar erros, preconceitos, idiossincrasias. E isso nos basta.

Interessante ainda que para um aluno de nível médio uma opinião nunca precisa ser fundamentada. Emitem frases como: “Sou contra os homossexuais”, “sou contra o aborto”, “a justiça não existe”, etc. E crêem que desse modo estão realmente dizendo algo quando na verdade só estão dizendo coisas sem procurar se importar muito com aquilo que é dito. Sem muita preocupação se aquilo está certo, ou não está, se está bem fundamentado ou não, se é apenas por preconceito ou se é por uma questão mais séria, legítima. Então no fundo as “opiniões” nem são opiniões de fato. São vácuo, são nada. São frases soltas no ar sem algo que as sustentem.

A questão segue e pode-se aprofundar muito mais do que estou fazendo aqui, mas não quero cansar ninguém. Em sala de aula se tentasse dar uma resposta como essa que estou a dar aqui já veria os bocejos para todos os lados, ou pessoas ao celular, ou com seus mp3, mp4, ipod’s ligados. São os nossos pensadores de amanhã. Não digo que pensar seja bom ou mau em si, em muitos casos pode até fazer mal, porém parece nos que analisar nossas opiniões pode melhor do que não analisá-las. A afirmação é perigosa, mas é uma crença que a sociedade inteira alimenta.

Jorge Ben canta santo Tomás de Aquino

A música pode ser ouvida no site abaixo – basta clicar no botão play:

http://www.acervosdobrasil.com/Faixa.asp?ID=17218 

Outras músicas do álbum Solta o Pavão de 1975 podem ser ouvidas aqui no site oficial do cantor:

http://www.jorgeben.com.br/sec_discogra_disco.php?language=pt_BR&id=14

Letra:

A semelhança da criatura com Deus
É tão imperfeita que não chega a ser
O gênero comum, comum
Pois certos nomes que implicam relação de Deus com a criatura
Deles se predicam temporariamente
E não são eternos, não são eternos e não são eternos
Deve se saber que quem ensinou
Que a relação não é uma realidade da natureza
E sim da razão
Estão enganados, puramente enganados
Estão errados, puramaente enganados
Deus não é uma medida proporcionada ou medido
Por isso não é necessário que esteja contido
No mesmo gênero da criatura
No mesmo gênero da criatura
Da criatura
Por isso dobro os meus joelhos
Diante do pai de nosso Senhor Jesus Cristo
Do qual toda sua sábia paternidade
Tomou nome nos céus e na terra
Assim falou Santo Tomas de Aquino
Assim falou Santo Tomas de Aquino
Assim falou Santo Tomas de Aquino
Assim falou Santo Tomas de Aquino

Senhor que tens tido feito o nosso refúgio
Senhor que tens tido feito o nosso refúgio
Senhor que tens tido feito o nosso refúgio
Senhor que tens tido feito o nosso refúgio

Sugestão de livro: Existo, logo penso

Este livro de filosofia é bastante interessante, pois apresenta um outro modo de fazer filosofia. Apresenta filósofos vivos ponderando acerca dos mais diversos assuntos. Lançando algumas luzes sobre questões que incomodam as pessoas no seu dia-a-dia e outras. Procurando mostrar o que a filosofia pode ter a dizer sobre essas questões e assim ajudá-las a pensar de outras maneiras, ou a aprofundar certas inquietações. Em vários momentos eles o fazem citando textos clássicos de Platão, Kant, Aristóteles e em outros não. Abaixo transcrevo algumas questões de cada um dos quatro capítulos (organizados kantianamente) para motivar a leitura do livro. As perguntas eram feitas no site http://www.askphilosophers.org/ e posteriormente perguntas e respostas foram organizadas neste livro por Alexander George. O livro pode ser encontrado em livrarias no setor de auto-ajuda e não de filosofia. Quem sabe se está revisando o conceito de auto-ajuda na contemporaneidade. Num sentido mais sério realmente poderíamos encaixar o livro nesta categoria. Naturalmente, não encontrás neste livro respostas prontas e fechadas para as questões. Então se esse é o seu objetivo, desista. Não gaste seu dinheiro. Aí vão as perguntas:

Parte I: O que eu posso saber?

“Eu acredito que sou a única coisa que realmente existe. Como uma outra pessoa pode me provar que ela existe realmente?”.

“Máquinas podem ter conhecimento?”.

“Você pode provar que a afirmação ‘A verdade é relativa’ é falsa? A verdade pode ser absoluta?”.

“A expressão ‘antes do Big Bang’ faz algum sentido, já que o Big Bang é o começo de tudo, inclusive do tempo?”.

“Pode haver um acontecimento que seja inteiramente aleatório?”.

“A ciência nos diz que o espaço é infinito e está sempre se expandindo. Mas, se é infinito, como pode se expandir? E dentro do que ele está se expandindo?”.

“Filósofos são mais bem-sucedidos em suas decisões pessoais do que a média das pessoas?”.

“Sempre me afligiu a idéia de que a filosofia não é algo que tenha feito qualquer progresso real. Por que gastar tempo construindo teorias elaboradas que não são cientificamente provadas? Por que gastar tanto tempo refletindo sobre questões (1) cujo progresso é difícil de ser avaliado e (2) cujas idéias resultantes não mudam realmente o mundo de maneira significativa?”.

“Por que os filósofos não concordam? Nas ciências naturais você encontra discordâncias nas fronteiras de novas pesquisas, mas, depois de algum tempo, chega-se a um entendimento e as fronteiras avançam para novas áreas de investigação. Na filosofia, nada deixa de ser controverso. Como poderia identificar um avanço em filosofia?”.

Parte II: O que devo fazer?

“É moralmente errado lucrar com os erros e a estupidez de outras pessoas?”.

“O tolerante deve tolerar a intolerância?”.

“Uma boa ação pode compensar uma má ação, ou o valor moral de cada uma delas existe independentemente?”.

“Acredito ser importante preservar a biodiversidade, mas não consigo determinar por que isto é tão importante para mim, ou como é possível convencer outras pessoas de que isto é importante. A filosofia pode ajudar?”.

“De que maneira o fim pode chegar a justificar os meios?”

“O que justifica o fato de tantas pessoas – principalmente pessoas desprezíveis que não nos demonstram nenhum respeito – insistirem em seus ‘direitos humanos’? Devo respeitar o direito de tais pessoas?”.

“A qualidade de vida de alguém pode ser tão ruim a ponto de você ter justificativa para cuidar dessa pessoa, contra a vontade dela, para melhorá-la? A partir de qual estágio isso seria conveniente?”.

Parte III: O que eu posso esperar?

“Estou pensando em ter filhos, mas não consigo pensar em qualquer bom motivo para tê-los. Parece impossível ter obrigações com uma pessoa que não existe ainda. Será que há algum bom motivo para ter filhos que não seja egoísta?”.

“De acordo com Göethe, as únicas pessoas realmente felizes são aquelas que são como crianças. O que preencheria o requisito de ser como criança, e como isto tornaria alguém feliz?”.

“Por que as emoções são vistas de maneira negativa? Por que estar feliz não pode ser tão bom quanto estar triste?”.

“Deveríamos perder nossa fé em Deus devido a acontecimentos como o furacão Katrina?”.

“Deus poderia fazer uma pedra tão pesada que Ele próprio não conseguisse levantar? Se assim fosse, então Ele não é todo-poderoso. Mas se não pudesse fazer essa pedra, então também teremos que Ele não é todo-poderoso. De um jeito ou de outro, existe alguma coisa que Deus nã consegue fazer. Então, parece que Deus (ou qualquer coisa neste sentido) não poder ser onipotente”.

“A fé em uma coisa intangível é no fim das contas ilusória?”.

“Considerando que não há provas nem de uma coisa nem de outra, não é mais válido dizer: ‘Deus existe’ do que dizer ‘Deus não existe’? Ou a única afirmação válida é ‘Não sei se Deus existe’?”.

“Se, no fim das contas, não se pode saber qual é a vontade de Deus, então como podemos saber o que é moralmente certo?”.

“Se todas as vidas terminam em morte, então como a vida pode ter algum valor?”.

Parte IV: O que é o homem?

“Por que os vegetarianos propõem um conjunto de regras diferentes para os animais não-humanos? Afinal de contas, os seres humanos são animais também. Por que está certo um leão matar e comer um antílope enquanto para um ser humano isto não está certo? Algumas pessoas respondem que ‘Não precisamos de carne’, mas por que isso importa?”.

“Reconheço que Descartes é um dos mais importantes e influentes pensadores dos tempos modernos. Mas então por que le acreditava que animais não-humanos não são sensíveis, e portanto não podem sofrer ou sentir dor alguma? Como uma pessoa tão brilhante tem esse conceito equivocado de que os animais não-humanos não sofrem? Quando se faz uma vivissecção ou quando se causa um dano violento, a vidade é gritante! Estou chocado”.

“É possível provar que os cães sonham?”.

“Se eu pudesse fazer uma cópia perfeita de uma obra de arte famosa, ela seria tão valiosa quanto a original?”.

“Não existe arte ruim?”.

“A música é uma linguagem?”.

“Se houvesse uma teoria sobre tudo, ela não iria prever todas as ações e todos os comportamentos humanos? E, assim sendo, essa teoria não destruiria a possibilidade do livre-arbítrio?”.

“Um homem casado e uma mulher solteira estão prestes a ter um caso. A mulher solteira tem a responsabilidade de proteger os votos do casamento do homem, ou a responsabilidade é apenas dele? Na ausência de uma doutrina religiosa específica, como você formularia um princípio para ajudar a determinar onde a responsabilidae começa e onde ela acaba neste caso?”.

“Eu realmente amo minha esposa e certamente não quero magoá-la. Mas é moral enganá-la se estou 100% certo de que ela não vai saber (e, portanto, não será ferida)?”.

“É possível que pessoas mentalmente instáveis (meio loucas) sejam na verdade sãs e que nós sejamos os loucos?”.

“Ao sustentarmos o conceito de ‘raça’, tornamos o racismo possível?”.

“Por que devemos respeitar os mortos?”.

Existo, logo penso: filósofos respondem às suas perguntas sobre o amor, o nada e tudo o mais. Alexander George [et. al.]; tradução Bruno Casotti. – Rio de Janeiro: editora Objetiva. 2008. 276 p.
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Site da Editora Objetiva falando sobre o livro: http://www.objetiva.com.br/objetiva/cs/?q=node/1737
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Em Portugal este livro foi traduzido como: O Que Diria Sócrates? Os filósofos respondem às suas perguntas sobre o amor, o nada e tudo o resto, org. de Alexander George
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Tradução de Cristina Carvalho
Revisão científica de Aires Almeida
Lisboa: Gradiva, Julho de 2008, 320 pp.
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Aqui neste site há uma pequena apresentação do livro e logo abaixo há um trecho do livro e no link a seguir há uma resenha crítica.
http://criticanarede.com/fa_18a.html (Apresentação do livro).
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http://criticanarede.com/socratessay.html (Resenha crítica de Aires de Almeida).
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What Would Socrates Say? Philosophers Answer Your Questions About Love, Nothingness, And Everything Else, org. de Alexander George. Nova Iorque: Clarkson Potter Publishers, 2007, 256 pp.
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