Cotas Raciais

Li uma postagem de uns alunos discutindo sobre cotas e achei curioso. Não sabia que havia todo esse consenso forte sobre o tema. Achei que era um tema bastante controverso e polêmico. Interessante que se mistura nessa discussão uma série de coisas. Também não sabia que as pessoas eram ridículas por pensar diferente. Quem é a favor do racismo?! Ninguém. Quem apoia discriminação? Ninguém! Agora, isso é uma coisa, outra coisa totalmente diferente são as soluções para tentar corrigir a desigualdade existente no Brasil. Achar que é preciso criar um conceito, uma raça, ou dividir o Brasil em raças para superar o preconceito é algo absolutamente questionável. Criar, sim, porque o IBGE impõe às pessoas somente algumas possibilidades e a pessoa diz em qual se encaixa. Eu mesmo descobri que era pardo. Aliás, no Brasil somos um país de pardos. O Brasil racializado, dividido em raças, diz que eu sou pardo. Na verdade, eu mesmo preciso chegar a esta conclusão pois o critério é a auto-declaração. Como não sou nem branco, nem negro, também não sou índio (aliás, índio é raça ou etnia?! mas nada disso os grandes sábios esclarecidos se preocupam em distinguir) – apesar de ter parentes brancos, negros, índios, descubro que devo ser algo totalmente diferente: pardo. Um belo nome para um livro que irei escrever: Brasil, um país de pardos. Há cotas para pardos, mas não posso utilizá-las – sobre isso vejam o Featured imageexemplo de uma jovem que num concurso inscreveu-se em cotas para pardos e negaram-lhe o direito à vaga pois ela não seria parda (que coisa absurda alguém determinar a sua raça). O que gerou uma crise de identidade na própria candidata: afinal, o que eu sou?! Qual a minha cor, quFeatured imageal a minha raça, qual a minha etnia?! (Por que essas três coisas aparecem juntas e não se distingue com clareza umas das outras?!). Será que mais uma vez serão reabilitados os tribunais raciais como o famoso da Universidade de Brasília que aprovou um irmão como negro e outro não (sendo que eram gêmeos)?! Se não vão trazê-los de volta, então vamos ficar com o critério da auto-declaração? Pode-se auto-declarar-se pardo, ou negro, porém se mentir, se faltar com a verdade (qual verdade?) é crime! Como?! Pensei que raças era um conceito biológico racista e ideológico utilizado para distinguir seres humanos (muito utilizado pelos imperialistas do século XIX, pelos nazistas e sua obsessão pela raça pura). Conceito que segundo a biologia atual deveria ser abandonado. Dever-se-ia falar tão somente em raça humana, se se quiser ainda tratar do assunto. E mesmo uma análise do DNA já mostrou que muitos que são negros podem ter mais genes de brancos europeus do que outros que são brancos – este é o caso do Neguinho da Beija-Flor. Ah, mas isto é besteira! Isto é um absurdo! Não é uma questão biológica, é um conceito social! Dirão os racialistas, ou favoráveis da divisão social em raças. Porque na rua, dizem eles, todos sabem quem é branco, quem é negro! Inclusive um sociólogo sugere que o critério deve ser o da balada. Numa balada as pessoas não tem dúvida sobre as raças. Talvez, pensando aqui numa sugestão aos tribunais raciais, dever-se-ia convidar neonazistas para integrar os tais tribunais. Eles, melhor que ninguém, poderiam distinguir brancos, negros e pardos. Será que pardos eles também distinguem?! (Só um pensamento que me ocorreu). Diz-se que racismo ao contrário, ou racismo invertido é história para boi dormir, porém o Estado ao admitir cotas  faz racismo, mas é um bom racismo (“discriminação positiva”, “tratar desigualmente os desiguais” – mas todos somos desiguais)! Existe bom racismo?! Mau racismo é aquele praticado pelos neonazistas, já o bom racismo é aquele das cotas. Bacana! Vamos seguir discriminando as pessoas, porque é isto que irá acabar com o racismo em nossa sociedade! Que bela forma de combater o racismo, não acham?! Vê-se uma prévia, uma pequena pitada de uma série de questões que o debate das cotas envolve. Isto é nada. Isto é muito pouco: há problemas quando se fala em restituição histórica, há problemas quando se fala em cotas como paliativo e elas se tornam o único foco (esquecendo-se que a maioria dos negros nem chega ao ensino médio). Curiosamente, à medida que se analisa, que se pesquisa, que se aprofunda em argumentos favoráveis e  contrários percebe-se que os problemas são sempre bem mais complexos do que as guerras e bate-bocas de escola imaginam e que, portanto, não há motivo para achar que as pessoas que pensam diferentemente são idiotas, otárias, retrógradas, alienadas, dementes. Aliás, isto é um ataque pessoal, uma grande falácia, uma ofensa. Inclusive, uma professora nordestina branca, ou parda, foi perseguida, teve seu carro destruído entre outras intimidações, ameaças, ofensas, na mesma UnB simplesmente por discordar das cotas raciais (professora Roberta Kaufmann). Cultiva-se no Brasil o pensamento único e combate-se todo e qualquer outro tipo e maneira de pensar. Seguimos assim. Em nome da democracia não é mesmo?! O que acho realmente ridículo é não se admitir outras formas de pensar. E isto implica respeito, tolerância, implica admitir que o outro possui tão boas ou quem sabe melhores razões que você para pensar o que pensa, para dizer o que diz.

Aqui um belo exemplo de como são tratados aqueles que ousam pensar diferente em relação às cotas raciais. A baixaria, os ataques, ofensas, suspeitas.

Sustentação oral da dra. Roberta Fragoso Kaufmann contra as cotas raciais

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2 comentários sobre “Cotas Raciais

  1. Olá Daniel, tudo bem?? Então, gostei muito do seu texto e achei uma pergunta muito importante que causa uma confusão na maioria das pessoas, inclusive aconteceu comigo no passado. Estou falando da pergunta sobre índio ser raça ou etnia. Assim, em síntese, sabemos (ou espera-se que seja de conhecimento geral) que todos somos seres humanos: homem, mulher, criança,idoso, negro, índio, asiático, latino, americano, deficientes físicos, visuais e etc. Todos pertencemos a raça humana, então não tem como fugir disso, mas a questão da etnia está ligada à cultura onde certa comunidade ou povo pertença, logo, índios possuem diferentes etnias: Macuxis, Wapichanas, Ianomâmis, Taurepangues (esses são os que lembro agora porque estão presentes na região onde moro) e cada etnia possui suas características, como é de costume a cada sociedade. Portanto, no geral os índios tem a mesma raça que qualquer outra pessoa no planeta Terra, mas contam com o acréscimo de uma etnia que pode ser x,y ou z e ela irá constituir sua identidade. Legal, né? É claro que deve haver uma abordagem mais ampla sobre esse assunto, mas resumindo é isso aí mesmo.

    • Obrigado, Faby por seu comentário, por sua contribuição! Acho essa questão das cotas muito confusa e gostaria que se elucidasse coisas como essas. Essas diferenças entre cor, raça e etnia. Não sei se vc já viu alguns processos envolvendo nordestinos. Algumas pessoas manifestam hostilidade em relação aos nordestinos no facebook, twitter e quando as vítimas buscam a justiça os agressores são enquadrados como “racistas”. Penso que esta nomeação também não parece apropriada. Diz-se que não é apenas injúria, mas algo a mais. Eu gostaria de compreender e aprofundar-me mais nisto. Obrigado mais uma vez por seu comentário!

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