O livro de Manuel e Camila, por Ernst Tugendhat

ImagemEste livro foi escrito em 1995, no Chile, para as aulas de ética dos colégios chilenos. Celso López, foi o responsável pelo aspecto narrativo do livro; Ana María Vicuña, pelos aspectos linguísticos e eu pelos argumentos. Tínhamos experiência com o ensino de filosofia nas escolas com o método e os livros de Matthew Lipman e, no caso especial da ética, com o seu livro Elisa. Decidimo-nos por escrever um texto próprio porque Elisa nos pareceu demasiadamente vinculado ao ambiente norte-americano, e também porque não queríamos deixar as questões éticas tão em aberto como estavam no livro de Lipman. Talvez tenhamos ido longe demais na direção oposta, mas a experiência no Chile mostrou que nosso texto se presta ao ensino aberto com discussões, em conformidade com o método de Lipman. Tínhamos pensado em aulas para jovens entre treze e quinze anos. A experiência dirá se isso também se aplicará à Europa e ao Brasil. Ao que parece, na Alemanha e na Espanha o livro é comprado também para a leitura individual de adultos. (…)

Salvador, maio de 2002.

Ernst Tugendhat

Capítulo 1Imagem

Qual é o pior crime? 

Manuel estava fazendo as tarefas da escola e seu pai assistia à televisão. De repente, ouviu no noticiário a informação de um assalto. A notícia chamou-lhe a atenção e foi sentar-se junto ao pai, para ver do que se tratava. O repórter informava que uns ladrões tinham entrado em uma residência para roubar, amarrando e amordaçando a dona da casa. Infelizmente, seu marido havia chegado exatamente no momento em que os bandidos estavam na casa. Ao que tudo indica, ao se verem surpreendidos, tentaram prender o marido e usá-lo como refém, caso a polícia chegasse. Mas como não o conseguiram, mataram-no e também à mulher.

Manuel ficou muito comovido com essa notícia, sobretudo quando viu na televisão a imagem dos corpos cobertos com lençol e o sangue derramado pelo chão.

À noite, antes de dormir, durante muito tempo ainda ficou pensando no casal assassinado. Muitas perguntas vinham-lhe à mente: o casal teria filhos? o que sentiriam? todas as crianças sem lar se tornariam delinquentes? haveria uma forma de evitar isso? Este último pensamento produziu-lhe grande inquietação e manteve-o por muito tempo acordado.

– Viram as notícias? – perguntou Manuel aos amigos, quando chegou à escola na manhã seguinte.
– Não – responderam Álvaro e Sebastião.
– Tratava-se de um assalto sangrento – acrescentou Manuel.
– Bom, a TV e os jornais – afirmou Sebastião – sempre informam sobre assaltos assim.
– Mas este foi realmente horrível – opinou Manuel.

Nesse momento, chegaram Camila, Glória e outras colegas. Uma delas, Margarida, disse também havia visto a notícia e seu pai estava muito impressionado, porque o senhor que havia morrido era um antigo chefe seu.

– É muito triste – afirmou Glória. – Algo assim não deveria ocorrer, as pessoas deveriam aprender a amar-se e a respeitar-se.
– Concordo – completou Camila. – Além disso, matar duas pessoas indefesas é um ato muito cruel.
– Fico muito indignada quando as pessoas agem com violência – confessou Isabel. – Não entendo como se pode fazer uma coisa dessas!
– Certamente, mataram para poder fugir sem serem descobertos – tentou justificar Álvaro.
– Mas matar pessoas é um crime, é o pior que se pode fazer! – replicou Glória. – Poderiam tê-los amarrado; quando muito, poderiam tê-los deixados inconscientes.
– Por que disseste que matar é algo muito cruel? – perguntou Sebastião a Camila.
– Porque, ao matar uma pessoa, se lhe está causando o maior sofrimento que se pode imaginar – respondeu Camila.
– Quando te matam, de fato, não sofres muito – interveio Álvaro, meio na brincadeira. Imagem

Camila se incomodou um pouco mas, em lugar de reagir, permaneceu calada, pensativa, depois respondeu:

– Bom, pode ser que as pessoas assassinadas não sofram muito, porque a morte pode ser muito rápida; mas é, pelo menos, um terrível sofrimento para os seus familiares, que já não poderão mais estar com elas.
– E também, é claro, é um sofrimento para os que morrem – acrescentou Glória. – Porque também não poderão ver seus familiares.
– Aha? Então acreditas que as pessoas mortas seguem vivendo e sentindo? – perguntou Sebastião e acrescentou: – Não creio que uma pessoa morta ainda sofra. Um morto não sente mais nada.
– É verdade – concordou Álvaro. – Mas que acontece com suas famílias?
– Não sei – disse Sebastião. – Porém… e se os assassinados fossem muito velhos e não tivessem filhos? Não haveria então ninguém que sofresse por eles… Nesse caso, porque matar ainda seria mau?

A possibilidade posta na pergunta de Sebastião deixou a todos horrorizados. Apenas Glória reagiu imediatamente:

– Matar é mau porque um dos dez mandamentos diz “não matarás!”. Imagem
– Bem, é verdade – resmungou Sebastião, mas para os amigos ficou claro que não estava muito convencido. Álvaro mudou rapidamente de assunto e disse:
– Se alguém me assaltasse, eu trataria simplesmente de defender-se e à minha família. – E Manuel, sorrindo, replicou algo irônico:
– Provavelmente, usarias os meios do teu querido Rambo, não é?
– Claaaro! – concordou Álvaro, e arregalou os olhos, ameaçador.

Quando Camila chegou em casa, tirou o casaco e jogou-o sobre uma poltrona, junto com a mochila.

– O almoço está quase pronto – disse sua mãe. – Podias fazer o favor de ir pondo a mesa?
– Está bem – concordou e foi para a cozinha. Enquanto colocava os pratos e os guardanapos, não podia deixar de pensar na última frase de Sebastião. Na verdade, também não estava muito convencida pela resposta de Glória. Mesmo sabendo que matar é um crime terrível, sentia faltar alguma coisa naquela explicação, pois é verdade que, geralmente, a vítima sofre só por pouco tempo.

– Mamãe! – disse. – Posso te fazer uma pergunta?
– É claro!
– Por que é mesmo tão mau matar alguém?
– Que pergunta estranha! – exclamou a mãe, surpresa.
– É que tivemos uma discussão na escola sobre este assunto e fiquei um pouco confusa – explicou.
– Nunca pensei muito sobre o assunto – começou a dizer a mãe. – Todavia, na minha opinião, matar é algo tão mau porque todos queremos viver. No meu modo de ver, a vida é o maior bem. Tudo mais é menos importante do que poder viver.

Camila achou a resposta da mãe muito sensata, mas não era bem o que havia esperado. Apesar disso, não tinha nenhuma vontade de continuar perguntando.

Um pouco mais tarde, chegou seu pai para o almoço e trouxe consigo um tipo de quem Camila gostava muito, irmão mais novo de sua mãe.

– Oi, tio! – cumprimentou Camila, dando-lhe um grande abraço.

Depois dos cumprimentos, sentaram-se à mesa. Enquanto comiam, os pais e o tio conversavam sobre assuntos de trabalho e Camila só ouvia, com atenção.

Quando se fez uma pausa na conversa, o tio perguntou-lhe como ia na escola.

– Vou indo bem, obrigada – respondeu Camila. Mas mesmo essa pergunta inofensiva levou-a, involuntariamente, a pensar de novo na conversa que tivera com os seus amigos. E todos na mesa notaram como parecia preocupada.
– Nossa Camila agora se ocupa de temas bastante difíceis – provocou a mãe, com um sorriso um pouco irônico.
– Mamãe! – censurou Camila, levantando a voz, mesmo sem ficar zangada. – O que te perguntei não tem nada a ver com a escola!
– Bom, conta lá! – pediu o seu tio. – Conta do que se trata!

Camila não estava certa se devia voltar a por em discussão o seu problema, pois o tio costumava zombar dela, mas, afinal, repetiu a pergunta anterior:

– Por que é mau matar alguém?

O tio esteve a ponto de rir, mas compôs uma cara terrivelmente séria, como se tivesse de refletir muito profundamente; finamente, respondeu:

– E a quem tens a intenção de eliminar agora?
– Tio! – exclamou, num tom de provocação. – Minha pergunta foi totalmente a sério!
– Bom… – o tio começou realmente a pensar a respeito. – E o que disse a tua mãe?
– Que é mau, porque todos queremos viver – respondeu Camila.
– Exatamente – concordou o tio. – Acho que esta é a resposta correta.
– Mas por que todos queremos viver? – insistiu Camila.
– Não te posso dar uma razão, porém, sem dúvida, é verdade. É um fato que, para nós, viver é o mais importante – respondeu o tio, de repente muito sério. – Por isso, sempre procuramos evitar a morte. Observa só como, no mundo inteiro, todos agem assim! Se, por exemplo, vem um automóvel a toda velocidade, saltas para a calçada; se alguma coisa cai de um edifício, te afastas imediatamente; e se viesse um louco com uma faca e quisesse matar-te, ias reagir do mesmo modo e procurar fugir.
– Sim, é verdade – disse Camila. – Mas tens certeza de que todos agem sempre assim?
– Bom, se ainda não estás certa, então pergunta a ti mesma o que se passa contigo – sugeriu o tio. – Se também achas que a morte é o pior que pode te acontecer, por que os outros não achariam o mesmo?
– Sim, claro! – começou a responder Camila. – Mas o que acontece, por exemplo, com as pessoas que se suicidam? – perguntou, olhando para o tio com um ar travesso.
– Mas que sobrinha inteligente! – elogiou o tio, com um amplo sorriso.

Nesse momento, interveio o pai:

São exceções, filha. É verdade que algumas pessoas se suicidam, mas isto se dá porque estão gravemente enfermas ou totalmente desesperadas. E mesmo nesses casos, muitos se arrependem no último momento e voltam atrás.

Camila não respondeu, mas lembrou de um filme, no qual um homem tentava suicidío subindo num edifício, na intenção de jogar-se do ponto mais alto. Exatamente no momento de saltar, porém, arrependeu-se de sua decisão e ficou colado na parede, até que a polícia e os bombeiros o salvassem.

– E também, não achas – prosseguiu o pai – que até uma pessoa que esteja pensando seriamente em suicidar-se se assustaria terrivelmente se fosse ameaçada com um revólver e faria todo o possível para salvar-se? Por que achas que isto acontece? Sem dúvida, porque o desejo de sobreviver é o sentimento mais forte que temos.

O que seu pai acabava de dizer deixou Camila muito impressionada, mas também percebia que ainda nem tudo estava esclarecido. Todavia, preferiu não insistir.

– Entendo, respondeu, mas em pensamento seguia perguntando: por que a morte me impressiona tanto? há pessoas que simplesmente matam a outras, o que considero inteiramente inaceitável, mas não posso indicar sequer uma razão para o meu horror!

Entretanto, seus pais continuaram conversando com o tio, até o fim da refeição. Camila ajudou a mãe a tirar a mesa, depois sentou-se no sofá para ler uma história em quadrinhos.

– Acho que ainda não ficaste bem convencida, Camila, não é verdade? – disse seu tio.

Camila se assustou, pois não havia notado que o tipo estava em pé ao seu lado.

– Não sei – respondeu. – Acontece que na minha turma há um menino que sempre me contradiz em tudo. Ele afirma que o homicídio não pode ser um crime tão grave porque, quando nos matam, em geral, só sofremos por pouco tempo.
– E isto te irrita muitíssimo – disse o tipo, adivinhando o seu pensamento.
– Exatamente. – Camila contou a discussão que tivera com Sebastião.
– O que poderias tentar neste caso – aconselhou o tio – seria mudar de método. Não deixes mais que ele te pegue numa discussão, e sim, toma tu a iniciativa e coloca-lhe um problema.
– Mas que problema? – perguntou Camila, surpresa.
Pede-lhe, por exemplo, que suponha ter cometido um crime muito grave e que lhe deixam escolher, se prefere ser executado ou passar o resto de sua vida na prisão – sugeriu o tio.
– Obrigada, tio!

Rapidamente se deu conta de que, com esse método, seria capaz de por Sebastião num aperto. Com esse exemplo, compreendeu que a maioria das pessoas reconhece a morte como um mal tão grande que preferem uma vida sem sentido e chega de sofrimento a morrer.

– Mas por que é assim? – pensou.

A dificuldade com Sebastião havia surgido porque na discussão na escola haviam partido do pressuposto que só o sofrimento seria mau. Agora percebia que até uma longa vida cheia de sofrimento parece-nos melhor do que a morte. Tínhamos pensado que o motivo pelo qual não queremos morrer seriam as alegrias que podemos ter na vida. Isto significaria que queremos viver porque esperamos encontrar na vida, pelo menos, mais alegrias que sofrimentos. Contudo, agora parece ser o contrário: se não estivermos inteiramente desesperados, preferimos viver a morrer, ainda que a vida consista apenas em sofrimento.

Camila tinha sentimentos contraditórios. De um lado, sentia-se mais aliviada e contente, porque agora iria enfrentar Sebastião, mas no seu íntimo, embora sem admiti-lo totalmente, estava muito sensibilizada pelo até então insuspeito significado da vida e da morte.

A manhã seguinte, na escola, pareceu-lhe assustadoramente longa. Camila achou as aulas enfadonhas e não se podia concentrar em nada. Estava ansiosa por conversar com Sebastião. A oportunidade só se deu quando todos já estavam a caminho de casa.

– Aí ainda há um problema – disse Camila a seus amigos. – E este interessa sobretudo ao Sebastião.
– Que espécie de problema? – perguntaram todos, intrigados. Camila, então, expôs a pergunta sobre a decisão, tal como seu tio lhe havia proposto.
– Gosto desse tipo de problema! – falou Álvaro. Os outros ficaram pensando, sem dizer nada.
– Acho que ninguém vai escolher ser morto – opinou Glória, finalmente.
– Concordo com Glória – disse Manuel. – Acho que ninguém escolheria morrer. A morte é o fim e isto ninguém pode querer a sério.
– Que escolherias? – perguntou Camila a Álvaro.
– Acho que escolheria a prisão perpétua – arriscou Álvaro. – Mas depois tentaria fugir.
– E se não pudesses fugir, então preferirias morrer? – perguntou Manuel.
– Não – respondeu Álvaro. Morrer seria o nada.
– E tu, Sebastião? – perguntou Camila, com um tom inocente.

Sebastião não respondeu logo. Olho-os a todos em silêncio e depois falou:

– Preferiria ser executado; o sofrimento seria apenas bem breve, em comparação com o interminável sofrimento ao longo dos anos na prisão.
– Não acredito que estejas falando sério – disse Manuel. – A morte é o pior que pode nos acontecer.
– Por que dizes isto? – perguntou Sebastião.
– Todos consideram a pena de morte – respondeu Manuel – a pena mais dura, mesmo que o sofrimento dure pouco.
– É isso – concordou Camila. – Na questão da morte, absolutamente não se trata de sofrimento.
– Sim – disse Manuel. – Foi o que ontem nos confundiu, porque pensávamos que matar causa dor à vítima ou a sua família e por isso é reprovável. Mas Sebastião nos mostrou que às vezes podia não causar nenhuma dor.

Sebastião se calou. Camila, por sua vez, ficou insatisfeita. Sentia que o havia vencido.

À tardinha, os três amigos se reuniram novamente. Manuel informou que primeiro tinha de fazer compras mas depois podia ir jogar videogame.

– Vêm junto? – perguntou.
– Mas claro! – disseram Álvaro e Sebastião.

Durante o caminho, a conversa se dirigiu novamente para a discussão da manhã.

– Preferirias mesmo que te matassem? – perguntou Álvaro, ainda incrédulo.
– Talvez, quem sabe – respondeu Sebastião.
– Só porque achas que aí não se sofre? – insistiu Manuel.

Sebastião não respondeu, mas era evidente que se sentia encurralado.

Entretanto, haviam chegado ao salão de jogos eletrônicos e durante um certo tempo se deixariam fascinar pelos ruído dos jogos. Não obstante, até mesmo durante o jogo, Manuel continuava pensando ainda na questão de como poderia convencer Sebastião. Supunha que, na realidade, ele jamais escolheria sua própria morte, mas simplesmente não queria ceder. De repente teve uma ideia:

– Afinal, Sebastião, o que teria realmente acontecido se os assassinos tivessem matado o casal enquanto dormia? – perguntou Manuel. – Então, o mal provocado a eles seria o mesmo, mas não teriam sofrido nada.
– Sim, acho que tens razão – disse Sebastião, depois de refletir um pouco. – Até aqui sempre pensei que o sofrimento fosse o pior, mas agora me dou conta de que não é verdade. Mas ainda não o compreendo.

Nessa noite, quando os pais de Manuel foram dormir, a mãe perguntou:

– Fechaste a porta da rua?
– Sim, fechei – respondeu o pai.
– Passaste a tranca de segurança? – voltou a perguntar a mãe.
– Acho que não – respondeu o pai e, dirigindo-se a Manuel, pediu: – Filho, podes trancar a porta?
– Está bem, já vou. – Boa noite!

Quando seus pais se haviam retirado para o quarto, Manuel foi até a porta da casa. A tranca fez “clic” quando encaixou e, exatamente nesse momento, alguma coisa fez “clic” em sua cabeça. Tinha-se dado conta de que, quando as pessoas vão dormir, querem sentir-se protegidas. Isto voltou a lembrar-lhe a conversa com Sebastião: as pessoas protegem sua vida, porque querem continuar vivendo – concluiu. – Ninguém quer morrer, mesmo quando a morte não lhe cause o mínimo sofrimento. Depois de deitar-se, durante muito tempo não pode dormir. Ao que parecia, para todos a morte é o maior mal – concluiu. E, por causa disso, o homicídio é o pior crime. O mal não é simplesmente o sofrimento – seguiu refletindo – e não se pode enconrar uma solução para a moral dizendo que não se deve causar nenhum sofrimento. Deve-se então dizer que a moral proíbe causar dano aos outros? Por exemplo, quando se oruba a alguém sem que a pessoa se dê conta; ela é prejudicada, mas não sofre. Será possível afirmar que, se alguém mata alguém, causa-lhe um dano? Também esta formulação não lhe parecia adequada.

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