Manuais “Arte de Pensar”

arte de pensarNo Brasil ainda não temos nada que se compare com os manuais “Arte de Pensar” de Portugal desenvolvidos para serem trabalhados com alunos do ensino médio de lá. O objetivo desses manuais é apresentar um pouco de história da filosofia, fornecer ferramentas para que os alunos possam filosofar (ensina-se no início bastante lógica formal e informal) e em seguida apresenta-se os textos dos filósofos (procurando sempre apresentar visões conflitantes sobre um mesmo problema filosófico). Exige-se do aluno que consiga não apenas interpretar bem os textos, mas diferenciar um problema filosófico de um problema não filosófico, que seja capaz de analisar argumentos e dizer se são bons ou não, se concorda ou não criando, assim, seus próprios argumentos. Não há fórmula fechada e pronta para dizer quais são os bons argumentos, mas há algumas idéias de quais seriam os maus ou péssimos argumentos. O aluno vai aprendendo a filosofar à medida que treina e constrói e reconstrói argumentos. Abaixo cito alguns links de capítulos dos manuais e também orientações que dão para os professores ou ainda falando sobre a proposta desses manuais. O que me pergunto é: quando pensaremos em manuais assim visando esse objetivo? Não entendo ao certo como fazemos para “filosofar” com nossos alunos. Muitos professores que vejo por aí “filosofam” com seus alunos de maneira bem solta e “livre” sem grande rigor ou cuidado. O aluno nem sabe se está ou não está filosofando, ou no âmbito da filosofia. Enquanto isso o professor se diverte, se deleita sem ser crítico do seu próprio trabalho.

No Brasil nem “Convite à Filosofia“, nem “Filosofando“, nem “Para Filosofar“, nem “Pensando Melhor” (livro prefaciado e elogiado por Rubem Alves), ou o Livro Didático de Filosofia do Paraná elaborado pelos próprios professores da rede desse estado (sob ‘supervisão’ de um parecerista externo) se aproximam dessa proposta.

Aqui um trecho tirado do Livro do Professor (Arte de Pensar):

(…) o que se exige do estudante não são meros relatórios do que acabou de estudar; mas também não são meras opiniões irreflectidas e desconhecedoras. O que exigimos do estudante é que ganhe a pouco e pouco a autonomia intelectual que lhe permita ter uma perspectiva pessoal mas informada e reflectida das matérias dadas. Informada, porque o estudante tem de conhecer a tradição filosófica relevante: não pode limitar-se a pensar por si sem ter em conta as teorias e argumentos dos grandes filósofos clássicos e contemporâneos estudados. E reflectida porque o estudante tem mesmo de tomar uma posição e dizer o que ele próprio pensa, depois de ter reflectido com um mínimo de seriedade nas matérias em causa. (…)

Guia

Livro do professor:

Avaliação das aprendizagens em filosofia:

Índice: 10.° ano

Primeiro capítulo, livro para 10° ano:
O que é filosofia?

Quarto capítulo, livro para 10°ano:
Determinismo e liberdade na ação humana

Quinto capítulo, livro para 10° ano:
Valores e valoração, a questão dos critérios valorativos

Nono capítulo, livro para 10° ano:
A necessidade de fundamentação da moral

Décimo terceiro capítulo, livro para 10° ano:
A arte: produção, consumo, comunicação e conhecimento

Índice: 11° ano

Capítulo 5 Estrutura do acto de conhecer

Capítulo 7 Conhecimento vulgar e conhecimento científico

Capítulo 11: Ética, direito e política (manual anterior a 2008)

Capítulo 12: A experiência e o juízo estéticos (manual anterior a 2008)

Problemas de Filosofia Política
António Paulo Costa

Glossário:

O objetivo que se atinge são esses:

Trabalhos dos estudantes:

Interessante que depois ligava com os Exames Nacionais. A prova estava em acordo com aquilo que era ensinado nos 10°, 11° e 12° anos. Porém isso foi até 2007 e depois acabou. O pessoal do site criticanarede.com e as associações de professores de filosofia de Portugal criticaram, manifestaram seu descontentamente, mas não teve jeito.

Exames Nacionais do Ensino Secundário – Filosofia
Planos de estudo criados pelo Decreto-Lei n.º 286/89
de 1997 – 2007

3 comentários sobre “Manuais “Arte de Pensar”

  1. Interessante.

    Seria uma boa ideia recolher experiências, comer alguns livros de pedagogia e escrever um Handbook de ensino de Filosofia?

    Creio que o ensino em Filosofia nunca foi muito bem visto, por parecer improdutivo, que é uma grande besteira. Talvez por isso que ainda não houve tantas pressões à empreitada de um livro direcionado à isso.

    Seria esse motivo?

  2. Se se pensasse unicamente em termos econômicos e sendo bem pragmático o cidadão poderia e deveria pensar, levar a sério o ensino da filosofia, pois agora com a obrigatoriedade da filosofia e a ausência completa de um manual adequado aos alunos do ensino médio se faz de suma importância. Um manual ao mesmo tempo sério, que respeitasse o nível intelectual deficitário dos alunos e que ao mesmo tempo os propiciasse filosofar de fato. O sujeito que fizer este manual será rico.

    Eu sinceramente não entendo mesmo o purismo da academia. De não querer mexer com esses assuntos considerados de “importância menor”, ou “práticos demais”, ou então por achar que filosofia não é uma atividade para todos, entre outras questões. Sinceramente, penso que há um grande desprezo pela educação e por temas relacionados com essa. Não sei de onde ele surge exatamente.

    Esperamos que surja um livro realmente interessante. Infelizmente, até o momento está complicado. Livro didático mesmo ainda não há.

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