Sugestão de livro: Existo, logo penso

Este livro de filosofia é bastante interessante, pois apresenta um outro modo de fazer filosofia. Apresenta filósofos vivos ponderando acerca dos mais diversos assuntos. Lançando algumas luzes sobre questões que incomodam as pessoas no seu dia-a-dia e outras. Procurando mostrar o que a filosofia pode ter a dizer sobre essas questões e assim ajudá-las a pensar de outras maneiras, ou a aprofundar certas inquietações. Em vários momentos eles o fazem citando textos clássicos de Platão, Kant, Aristóteles e em outros não. Abaixo transcrevo algumas questões de cada um dos quatro capítulos (organizados kantianamente) para motivar a leitura do livro. As perguntas eram feitas no site http://www.askphilosophers.org/ e posteriormente perguntas e respostas foram organizadas neste livro por Alexander George. O livro pode ser encontrado em livrarias no setor de auto-ajuda e não de filosofia. Quem sabe se está revisando o conceito de auto-ajuda na contemporaneidade. Num sentido mais sério realmente poderíamos encaixar o livro nesta categoria. Naturalmente, não encontrás neste livro respostas prontas e fechadas para as questões. Então se esse é o seu objetivo, desista. Não gaste seu dinheiro. Aí vão as perguntas:

Parte I: O que eu posso saber?

“Eu acredito que sou a única coisa que realmente existe. Como uma outra pessoa pode me provar que ela existe realmente?”.

“Máquinas podem ter conhecimento?”.

“Você pode provar que a afirmação ‘A verdade é relativa’ é falsa? A verdade pode ser absoluta?”.

“A expressão ‘antes do Big Bang’ faz algum sentido, já que o Big Bang é o começo de tudo, inclusive do tempo?”.

“Pode haver um acontecimento que seja inteiramente aleatório?”.

“A ciência nos diz que o espaço é infinito e está sempre se expandindo. Mas, se é infinito, como pode se expandir? E dentro do que ele está se expandindo?”.

“Filósofos são mais bem-sucedidos em suas decisões pessoais do que a média das pessoas?”.

“Sempre me afligiu a idéia de que a filosofia não é algo que tenha feito qualquer progresso real. Por que gastar tempo construindo teorias elaboradas que não são cientificamente provadas? Por que gastar tanto tempo refletindo sobre questões (1) cujo progresso é difícil de ser avaliado e (2) cujas idéias resultantes não mudam realmente o mundo de maneira significativa?”.

“Por que os filósofos não concordam? Nas ciências naturais você encontra discordâncias nas fronteiras de novas pesquisas, mas, depois de algum tempo, chega-se a um entendimento e as fronteiras avançam para novas áreas de investigação. Na filosofia, nada deixa de ser controverso. Como poderia identificar um avanço em filosofia?”.

Parte II: O que devo fazer?

“É moralmente errado lucrar com os erros e a estupidez de outras pessoas?”.

“O tolerante deve tolerar a intolerância?”.

“Uma boa ação pode compensar uma má ação, ou o valor moral de cada uma delas existe independentemente?”.

“Acredito ser importante preservar a biodiversidade, mas não consigo determinar por que isto é tão importante para mim, ou como é possível convencer outras pessoas de que isto é importante. A filosofia pode ajudar?”.

“De que maneira o fim pode chegar a justificar os meios?”

“O que justifica o fato de tantas pessoas – principalmente pessoas desprezíveis que não nos demonstram nenhum respeito – insistirem em seus ‘direitos humanos’? Devo respeitar o direito de tais pessoas?”.

“A qualidade de vida de alguém pode ser tão ruim a ponto de você ter justificativa para cuidar dessa pessoa, contra a vontade dela, para melhorá-la? A partir de qual estágio isso seria conveniente?”.

Parte III: O que eu posso esperar?

“Estou pensando em ter filhos, mas não consigo pensar em qualquer bom motivo para tê-los. Parece impossível ter obrigações com uma pessoa que não existe ainda. Será que há algum bom motivo para ter filhos que não seja egoísta?”.

“De acordo com Göethe, as únicas pessoas realmente felizes são aquelas que são como crianças. O que preencheria o requisito de ser como criança, e como isto tornaria alguém feliz?”.

“Por que as emoções são vistas de maneira negativa? Por que estar feliz não pode ser tão bom quanto estar triste?”.

“Deveríamos perder nossa fé em Deus devido a acontecimentos como o furacão Katrina?”.

“Deus poderia fazer uma pedra tão pesada que Ele próprio não conseguisse levantar? Se assim fosse, então Ele não é todo-poderoso. Mas se não pudesse fazer essa pedra, então também teremos que Ele não é todo-poderoso. De um jeito ou de outro, existe alguma coisa que Deus nã consegue fazer. Então, parece que Deus (ou qualquer coisa neste sentido) não poder ser onipotente”.

“A fé em uma coisa intangível é no fim das contas ilusória?”.

“Considerando que não há provas nem de uma coisa nem de outra, não é mais válido dizer: ‘Deus existe’ do que dizer ‘Deus não existe’? Ou a única afirmação válida é ‘Não sei se Deus existe’?”.

“Se, no fim das contas, não se pode saber qual é a vontade de Deus, então como podemos saber o que é moralmente certo?”.

“Se todas as vidas terminam em morte, então como a vida pode ter algum valor?”.

Parte IV: O que é o homem?

“Por que os vegetarianos propõem um conjunto de regras diferentes para os animais não-humanos? Afinal de contas, os seres humanos são animais também. Por que está certo um leão matar e comer um antílope enquanto para um ser humano isto não está certo? Algumas pessoas respondem que ‘Não precisamos de carne’, mas por que isso importa?”.

“Reconheço que Descartes é um dos mais importantes e influentes pensadores dos tempos modernos. Mas então por que le acreditava que animais não-humanos não são sensíveis, e portanto não podem sofrer ou sentir dor alguma? Como uma pessoa tão brilhante tem esse conceito equivocado de que os animais não-humanos não sofrem? Quando se faz uma vivissecção ou quando se causa um dano violento, a vidade é gritante! Estou chocado”.

“É possível provar que os cães sonham?”.

“Se eu pudesse fazer uma cópia perfeita de uma obra de arte famosa, ela seria tão valiosa quanto a original?”.

“Não existe arte ruim?”.

“A música é uma linguagem?”.

“Se houvesse uma teoria sobre tudo, ela não iria prever todas as ações e todos os comportamentos humanos? E, assim sendo, essa teoria não destruiria a possibilidade do livre-arbítrio?”.

“Um homem casado e uma mulher solteira estão prestes a ter um caso. A mulher solteira tem a responsabilidade de proteger os votos do casamento do homem, ou a responsabilidade é apenas dele? Na ausência de uma doutrina religiosa específica, como você formularia um princípio para ajudar a determinar onde a responsabilidae começa e onde ela acaba neste caso?”.

“Eu realmente amo minha esposa e certamente não quero magoá-la. Mas é moral enganá-la se estou 100% certo de que ela não vai saber (e, portanto, não será ferida)?”.

“É possível que pessoas mentalmente instáveis (meio loucas) sejam na verdade sãs e que nós sejamos os loucos?”.

“Ao sustentarmos o conceito de ‘raça’, tornamos o racismo possível?”.

“Por que devemos respeitar os mortos?”.

Existo, logo penso: filósofos respondem às suas perguntas sobre o amor, o nada e tudo o mais. Alexander George [et. al.]; tradução Bruno Casotti. – Rio de Janeiro: editora Objetiva. 2008. 276 p.
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Site da Editora Objetiva falando sobre o livro: http://www.objetiva.com.br/objetiva/cs/?q=node/1737
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Em Portugal este livro foi traduzido como: O Que Diria Sócrates? Os filósofos respondem às suas perguntas sobre o amor, o nada e tudo o resto, org. de Alexander George
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Tradução de Cristina Carvalho
Revisão científica de Aires Almeida
Lisboa: Gradiva, Julho de 2008, 320 pp.
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Aqui neste site há uma pequena apresentação do livro e logo abaixo há um trecho do livro e no link a seguir há uma resenha crítica.
http://criticanarede.com/fa_18a.html (Apresentação do livro).
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http://criticanarede.com/socratessay.html (Resenha crítica de Aires de Almeida).
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What Would Socrates Say? Philosophers Answer Your Questions About Love, Nothingness, And Everything Else, org. de Alexander George. Nova Iorque: Clarkson Potter Publishers, 2007, 256 pp.

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