Quem sou?

Daniel, professor de filosofia.

As pessoas me perguntam: por que ter um blog? Por vaidade? Porque não tem capacidade de escrever um livro? Porque quer ser admirado?

Ao que respondo: pode ser, mas é difícil dizer exatamente um motivo único pelo qual uma pessoa faz determinada coisa. No meu caso pode ser por vaidade também, mas também para discutir idéias, criticar, aprofundar, apontar problemas, ingenuidades, me aproximar de gente que gosta de pensar e discutir questões, … É triste quando nos vemos reduzidos a uma mera e única motivação psicológica. Lamento que hoje em dia as pseudo-análises, os psicologismos estejam tão fortes e frequentes a ponto de qualquer um que pense em fazer algo ‘estranho’ ou ‘diferente’ ser na hora carimbado como  querendo ‘se achar’, ‘ser o diferente’, ‘o filósofo’, etc. Ouço esse tipo de comentário desde que comecei o curso de filosofia. Curiosamente nunca ouvi ninguém dizer a um engenheiro que ele queria ‘se achar’ por fazer engenharia, ou a um administrador que ele quer ser ‘o diferente’ por ser administrador. Por que será? Deixo a resposta aos leitores perspicazes.

Um pouco sobre mim: fui fazer filosofia na Universidade Federal de Santa Catarina após um período de dúvida sobre que curso universitário cursar. Antes havia pensado em Sistemas de Informação por gostar de computadores, programação, ter contato intenso com internet e por ter recebido uma dica de um colega dos tempos de Escola Técnica (atual IFSC). O fato é que fiz um semestre numa universidade particular e não me senti muito pertencido aquele ambiente (apesar dos ótimos amigos que fiz por lá).  Depois de largar Sistemas fiquei um pouco em dúvida sobre o que fazer. Recebi, então, uma proposta de cursar algumas cadeiras no curso de Teologia e algumas cadeiras como ouvinte no curso de Filosofia da Unisul. Um semestre bastou para que eu me sentisse muito à vontade e animado estudando essas áreas. Identifiquei-me com o tipo de inquietação, com o clima de discussão, debates e argumentação que presenciei. Fiz, então, vestibular para UFSC e passei. Tentei cursar simultaneamente Teologia e Filosofia, porém não foi possível. Começaram a surgir conflitos intensos e acabei por abandonar a Teologia (e minha fé – porém isso mais por conta da própria Teologia do que por conta da Filosofia)., porém não o respeito pela igreja católica, em especial.

Já no curso de filosofia sofri muito. Porque buscava respostas claras para os problemas diversos que apareciam. E se, por um lado, me motivava aprender sobre os mais variados assuntos: política, ciência, artes, religião, lógica, conhecimento, razão, línguas… temas esses que sempre ouvi as pessoas falarem, porém sem saberem com clareza sobre o que estavam a falar. Por outro lado, me angustiava profundamente a despreocupação com que muitos professores (e alunos) ali pareciam ter com não chegar em conclusões. Para mim não bastava tão somente levantar questões ou destruir verdades, era preciso por algo no lugar (levei o curso muito a sério). Propostas ao menos, tentativas por mais difíceis que fossem (acho errada a idéia de que a filosofia seja somente levantar questionamentos, pois há diversas tentativas e propostas de respostas em vários autores). O fato é que me formei um grande cético sobre uma série de temas (e me tornei um pequeno especialista em ver furos em argumentações). Muito poucas verdades e grandes dúvidas. E isso tem sido assim até hoje.  Gostaria de ter já construído uma visão de mundo clara e precisa, e que pudesse submetê-la a prova e compartilhar com os outros, mas infelizmente ainda não foi possível. Creio que um dos benefícios do ceticismo são a prudência e o espírito aberto.

Bem-vindos.

3 Respostas

  1. Cara, esse site mudou o meu jeito de lecionar filosofia!
    Agradeço muito!

  2. Oi
    Também sou professor de filosofia e enfrentei na primeira aula na universidade um professor que muito divertido dizia que a filosofia era procurar um gato preto num quarto escuro sabendo que ele não está lá. Com o tempo percebi que precisava de mandar o gato caçar ratos e que o quarto tinha janelas por abrir.A filosofia é isso: abrir janelas para o mundo, alargar a nossa compreensão da realidade mesmo que as questões filosóficas não tenham uma solução científica. Já é muito útil como arte de pensar sobre as questões fundamentais da nossa existência.
    Abraço e parabéns pelo blogue.

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